Academia Brasileira de Moda consagra 3 Imortais em cerimônia emocionante no Rio de Janeiro

 

Vivi pra ver! 😍

No último dia 4 de agosto a moda brasileira viveu um dia histórico: a solenidade da posse dos novos membros da Academia Brasileira de Moda; a cerimônia aconteceu no Palacete Cesgranrio, no Rio Comprido, e foi organizada por Hildegard Angel, presidente do Instituto Zuzu Angel e fundadora da Academia.

O professor João Braga passou a ocupar a cadeira n° 39, de Caio de Alcântara Machado; o estilista Luiz de Freitas passou a ocupar a cadeira n° 21,  de Flávio de Carvalho, e Rui Spohr, a cadeira n° 14, de Gil Brandão, sucedendo a Guilherme Guimarães.

A noite foi repleta de presenças ilustres que ajudaram a construir a história da moda brasileira e hoje representam a memória viva da Academia, então segue uma pequena amostra desses encontros únicos e momentos mágicos!

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Palacete Cesgranrio, Rio Comprido / Fotografia: Marcelo Borgongino

Caio de Alcântara Machado

Nascido em 1926, Caio de Alcântara Machado é o pioneiro das feiras de negócios no Brasil; advogado por formação, começou a vida profissional como escrivão, mas logo iniciou suas atividades comerciais participando da fundação e exercendo a superintendência das Lojas Assunção. Posteriormente, em 1954, fundou, junto a seu irmão, e presidiu por vários anos a Alcântara Machado Publicidade, primeira firma brasileira no ramo de propaganda e promoções a competir com as multinacionais instaladas no país.

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Sentados à mesa, a estilista de alta costura Lucilia Lopes e secretária e membro Titular da ABM Celina de Farias; a presidente da Academia Brasileira da Moda, jornalista Hildegard Angel; a secretária geral, Ruth Joffily e o presidente da Academia Nacional de Engenharia, engenheiro Francis Bogossian / Fotografia: Marcelo Borgongino

 

 

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Caio de Alcântara Machado no seu escritório em São Paulo/ Fotografia: André Sarmento 

Em 1958 produziu a primeira FENIT (Feira Nacional da Indústria Têxtil), e com a realização de diversas atividades, feiras e exposições nas áreas da indústria, marketing e publicidade, ao longo do tempo foi alçado ao posto de um dos maiores articulistas do Brasil, fato atestado por seis prêmios de “Homem de Marketing do Ano” recebidos por ele e a Legião de Honra da França.

Foi criado o Prêmio Caio, o “Oscar dos eventos”, em sua homenagem, única premiação do setor da Indústria Brasileira de Eventos e Turismo. A frase “Vai dar jacaré” era muito usada por ele, que era um apostador convicto,  e o animal passou a ser associado naturalmente à sua pessoa pelos profissionais do ramo.

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Lucília Lopes e Carlos Serpa / Fotografia: Marcelo Borgongino

João Braga é professor nas principais universidades de São Paulo que oferecem cursos voltados para indumentária, moda e design. Graduado em Licenciatura Plena em Desenho e Plástica, e em Licenciatura Plena em Educação Artística, sua paixão pela moda evidenciou-se quando cursou Estilismo no Studio Berçot, em Paris. A experiência o animou a seguir esta trajetória acadêmica, com duas especializações na seqüência, uma em História da Indumentária e da Moda, e outra História da Arte, além do Curso de Aperfeiçoamento “Histoire des Vêtements et des Modes Parisiennes”, na ESMOD, também em Paris. Um mestrado em História da Ciência completou seu ciclo de estudos.

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João Braga, Luiz de Freitas e Rui Spohr / Fotografia: Marcelo Borgongino

Hoje é professor nas principais universidades de São Paulo que oferecem cursos voltados para indumentária, moda e design, além de palestrar pelo Brasil afora; também é articulista em inúmeras publicações nacionais, autor da obra História da Moda no Brasil – das influências às autorreferências, uma das publicações mais completas sobre o assunto. Possui outros 11 livros sobre moda e comportamento publicados, num país onde a produção literária sobre a moda ainda é pouco representativa, e onde até pouco tempo atrás o interesse das editoras em publicá-las praticamente não existia. Após 30 anos de pesquisas, estudos e transmissão oral da história da moda, João Braga se tornou um oráculo do saber fashion.

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João Braga e Heckel Verri / Fotografia: Marcelo Borgongino

“O trabalho e os textos de Braga, todos repletos de referências históricas e meticuloso requinte etimológicos, têm o efeito de um holofote que, pela força de conteúdo, também iluminam o momento atual da História em que a soberania da imagem é literalmente evidente. Ele se apropria da tradição verbal para combiná-la com o rigor de pesquisador, ao tratar de assunto que de banal não tem nada. Monta seu painel superpessoal de valores, histórias e itens fashion, que seduzem muito além das aparências.” – Constanza Pascolato

 

Flávio de Carvalho

Nascido na cidade de Barra Mansa, 1899, Flávio de Carvalho foi um dos grandes nomes do modernismo no país; engenheiro por formação, tornou-se artista, antropófago e um transgressor de marca maior. Atuou nas áreas de pintura, arquitetura, teatro, figurinos e performances, sempre causando furor, desafiando regras e as normas acadêmicas.

Mas foi no ano de 1956, em plenos anos 50 do famoso “New Look” de Christian Dior, que Flávio realizou a performance que o consagrou, chamada de “Experiência nº 3”, quando saiu de seu atelier na Rua Barão de Itapetininga e caminhou pelas ruas do centro de São Paulo, vestindo um traje tropical masculino projetado por ele mesmo: saia verde, blusa de mangas curtas bufantes, listradas de amarelo e preto, calçando sandálias de couro e meia arrastão!

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O emblemático “New Look” de Christian Dior, com destaque para o tailleur Bar/ Fonte: Association Willy Maywald/ADAGP, Paris 2017

E declarou sua criação como o legítimo “New Look” do homem brasileiro, verdadeiramente adequado ao nosso clima, à nossa realidade; pois já naquela época Flávio já criticava nossa atitude colonizada de usar, sem questionar, roupas ditadas por países europeus.

O que hoje passaria despercebido para uns e soaria um pouco diferente para outros, na época arrastou uma multidão escandalizada atrás dele pelas ruas de São Paulo, num contraste visual e cultural típicos das pessoas muito à frente do seu tempo – e quase foi levado à prisão.

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O emblemático “New Look” de Flávio de Carvalho em sua “Experiência n°3” (1956)

A escolha para sucedê-lo não poderia ter sido melhor, com a escolha do estilista Luiz de Freitas; nascido em Fragoso, Magé, Luiz causou nos anos 70 e 80 com a explosão de cores de sua Mr. Wonderful, vestindo nomes como Prince, Freddie Mercury e Jean Paul Gaultier, revolucionando mais uma vez a moda brasileira e anunciando o prelúdio metrossexual dos dias de hoje.

Em 1981 participou do importantíssimo evento “Década de 80 by Trevira”, no Hotel Intercontinental do Rio, onde somente dois brasileiros foram convidados para desfilar junto a várias estrelas internacionais: ele mesmo, com sua Mr. Wonderful, e José Augusto Bicalho com  a Jo&amp Co; o time incluía nomes como Thierry Mugler, Kansai Yamamoto, Chantal Thomas e o próprio Jean Paul Gaultier.

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“Eu nasci de uma flor: minha mãe se chamava Magnólia. Por isso, quando eu nasci, ela fez um quarto todo florido com fitas, daquela borracha de trocar pneus. Ela mergulhava as tiras em tintas de cortes diferentes, e elas ficavam multicoloridas.” – Luís de Freitas | Alberto Sabino, Luiz de Freitas e Lu Catoira / Fotografia: Acervo pessoal

Guilherme Guimarães

O estilista Guilherme Guimarães faleceu em 24 de dezembro do ano passado, e o preciosíssimo legado de sua vida e obra está sendo reunido e organizado por Hilde e a professora Ruth Joffily em um livro para posterior edição e publicação; seu nome foi construído e consagrado através de sua brilhante costura fina praticada junto à alta sociedade carioca entre as décadas de 60 e 70, o que inclui estrelas nacionais como Marília Pêra e Vera Fischer, nomes que representam todo o glamour e luxo daquela época.

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Guilherme Guimarães em seu atelier/residência / Fotografia: Rogério Assis (Estadão)

As cortinas de cânhamo rústicas que ajudam a compor o interior do salão nobre da Academia Brasileira de Moda são do próprio Gui-Gui, como era conhecido, e decoravam seu próprio atelier e residência, na Rua do Russel, Glória; e os prendedores franceses e dourados destas cortinas representam a síntese da elegância e busca permanente da beleza, equilíbrio e harmonia em suas criações, através da união do luxo de um metal nobre com a naturalidade do cânhamo.

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Gil Brandão / Fonte: blog Vista-se como você é (Ruth Joffily)

Seu antecessor, Gil Brandão, revolucionou a moda brasileira como o primeiro modelista a produzir e publicar moldes para corte e costura para jornais e revistas: foi o primeiro modelista da revista Manequim, em 1965.

Suas publicações são referência para os estudos de modelagem e interpretação de modelos, por seu cudado, precisão e riqueza de detalhes. Nasceu em Pernambuco, 1924, e tornou-se médico e arquiteto pela UFRJ, pós-graduou em Psiquiatria, mas foi como “mestre dos moldes” que escreveu seu nome na história nacional.

Sucessor da cadeira 14, Rui Spohr foi apresentado pela pesquisadora e doutoranda Renata Fratton, que fez o mestrado focalizando a obra do mestre, sob o título “Identidade regional celebrada no vestir: Rui Spohr e a moda que vem do Sul”, e agora faz o doutorado no programa de pós-graduação de História na Ponttifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, desenvolvendo como tese “uma visão aprofundada da moda e a sociabilidade na Cidade de Porto Alegre, a partir da atuação do costureiro Rui Spohr”.

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Rui Spohr discursa durante a cerimônia de posse e entrega do Colar e Diploma / Fotografia: Marcelo Borgongino

Nascido Flávio, em Novo Hamburgo, 1929, sua vocação foi despertada já na adolescência a partir de jornais e revistas, como a Cruzeiro, que retratavam ricamente a moda européia, principalmente a francesa. E foi assim que 1949, organizou um desfile na cidade, sem nunca ter visto um, e se tornou colunista de moda do jornal local, sob a alcunha de “Rui”. Em 1951, partiu rumo à Paris do pós-guerra a fim de aprender sobre a alta-costura francesa, onde ouviu da diretora da faculdade que “o Brasil jamais faria moda” – pois isso era coisa para os franceses.

De volta ao Brasil, Rui Spohr abriu seu próprio atelier, que começou a ganhar visibilidade por sua produção de altíssimo nível a partir dos anos 60, sempre indicando o caminho da profissionalização; e encerra o discurso lembrando que, apesar de seu legado, a moda brasileira não é apenas o Rio Grande do Sul e o eixo Rio-São Paulo; também é o interior e todos os estados e povos que compõem a pluralidade do nosso povo, e convoca mais pessoas para ajudar a reconstruir e a ressignificar a nossa identidade.

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“Moda é um sonho; moda é beleza; moda é tudo isso a que a gente aspira” – Rui Spohr / Fotografia: Marcelo Borgongino

Marco Rica

Também foi anunciada a criação da cadeira de número 50, cujo patrono é o estilista Marco Rica, falecido recentemente, no último dia 1° de julho. Marco Rica foi protagonista do Grupo Moda Rio, no final da década de 70, que alcançou expressão nacional quando o Brasil efervescia em todos os setores das artes: na moda, Zuzu Angel havia revolucionado propondo a legitimidade brasileira; Luiz de Freitas havia surgido com todas as transgressões de sua moda genial; a roupa alegórica carnavalesca chegou à apoteose de sua criatividade com o ciclo Joãozinho Trinta, na Beija Flor, entre 1976 e 1983.

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Marco Rica em 1990 / Fotografia: Bia Marques (O Globo) 

O Moda Rio é reconhecido como o movimento embrionário que gerou as semanas de moda cariocas, e a alfaiataria de Marco Rica como a que beirava a perfeição.

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Filhos de Marco Rica: Gabriela , Priscilla e Marco Junior / Fotografia: Marcelo Borgongino

 

Exclusiva com Hildegard Angel

Perguntada sobre suas expectativas para esta note de gala da moda brasileira, Hilde iniciou deixando suas impressões primeiramente sobre Luiz de Freitas e finalizou com uma breve aula de história que tive o prazer e o enorme privilégio de ouvir diretamente dela – e que hoje compartilho com vocês. Eu é que agradeço, querida!

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“Um mito que hoje em dia se refugiou no seu habitat natural, sua casa em Fragoso, que ressurge pra receber essa homenagem tardia, porque ele deve ser homenageado sempre, há muito tempo a gente gostaria que ele tivesse ingressado na academia, mas ele se refugiou, a gente nem conseguia localizá-lo, enfim! Custou bastante esforço pra localizar o Luis, de trazê-lo, de convencê-lo a vir, ele é avesso a homenagens, estamos felizes de ter o Luis aqui entre nós. E temos também o Rui Spohr, que é o maior nome de alta costura do Rio Grande do Sul, e de todo o sul do país, é o decano da alta costura no Sul do país, e temos o João Braga, que na área acadêmica, além de ser um enciclopedista de moda, na área acadêmica é o maior nome de expressa, o João Braga.

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Francis Bogossian, Hildegard Angel e Yone Kegler / Fotografia: Marcelo Borgongino

Então, eu acho que nós estamos fazendo uma posse importante, e nessa posse a gente lembra das personalidades, como Carlos de Alcântara Machado, que foi o homem das feiras e exposições, o homem que criou a Felity, a Fenatec, né, que inaugurou o Anhembi, e o Caio trouxe os olhos internacionais pra produção de moda do Brasil, pra indústria de confecção do Brasil; ele trazia os compradores e a imprensa internacional pras feiras da Fenit e ele abriu as perspectivas brasileiras no exterior. Ele era um homem muito importante, foi um homem muito importante pra nossa moda, o Caio de Alcântara Machado, e ele é um homem de São Paulo, temos um nome de São Paulo, João Braga, apesar de ser nascido no Rio de Janeiro,ele é um nome de São Paulo. O Rui Spohr, da alta costura, ocupa a cadeira que antes era ocupada pelo Guilherme Guimarães, e o Rui é um ótimo nome da modelagem, nessa cadeira leva o nome Gil Brandão; quem era Gil Brandão? Gil Brandão era o mestre da modelagem, ele tinha um jornal só de moldes, nos anos 60, época em que todo mundo sabia costurar, que tinha uma máquina de costura em casa, que todo mundo comprava moldes, então comprava um jornal de moldes do Gil Brandão; então, o Gil Brandão era uma espécie de mestre da modelagem. Além do Gil temos a homenagem que nós vamos prestar ao Marco Rica, né, e o Rui Spohr, Luís de Freitas, na cadeira do Flávio de Carvalho, que era um transgressor, como é o Luís, que foi um artista plástico modernista, que vestiu uma saia, e saiu pelo centro de São Paulo causando furor, nos anos 50. Então hoje acho que nós estamos sim fazendo um grande evento da moda brasileira. Eu agradeço a você estar aqui e peço que assista a nossa cerimônia, muito obrigada. – Hildegard Angel / Fotografias: Marcelo Borgongino

 

Os convidados

20170804_211247“Eu acho o máximo, primeiro pelo carinho imenso que eu tenho por ela, pois quem me lançou foi a Zuzu e segundo que eu acho o máximo ter sido feito aqui neste museu né? Que hoje abriga a Academia Brasileira de Moda, eu acho isso o máximo, só a Hilde mesmo.” – Marcello Borges, 1° Produtor de Moda do Brasil sobre a criação da Academia Brasileira de Moda

 

 

 

 

 

 

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“Hoje eu tô super feliz! E triste, por causa do meu amigo, o Marco Rica, que era meu amigo, meu amante, meu amor, eu trabalhava todas as coleções com ele, todas coleções dele foram feitas no meu corpo; a modelagem dele foi feita no meu corpo (…) Na época todos precisavam de um registro, e eu registrei esse nome no Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro; mas fui com o Guilherme Guimarães pra Europa, fui com Clodovil Hernandez também pra Europa, fui também com a Bianca Levandowski pros Estados Unidos…eu desfilei um pouquinho, rodei meio mundo” – Mary Help, Modelo /Fotografia: Acervo pessoal

 

 

 

 

 

 

“Nossa perspectiva é de crescimento à posição de excelência na área de moda – A crise impacta na participação dos alunos no ensino superior, mas ainda nessa crise o curso ainda é bem procurado, é uma referência”– Lucimara Chaves, diretora acadêmica da Faculdade Santa Marcelina sobre as perspectivas da instituição para o futuro da moda brasileira / Fotografia: Acervo pessoal

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Heckel Verri, Rui Spohr e Lu Catoira / Fotografia: Acervo pessoal

“Estou muito feliz de estar aqui porque realmente é um momento histórico pra moda brasileira; a gente vê colegas da gente, de moda, serem homenageados, estilistas terem sido lembrados neste momento; então eu acho que a gente  eu vivi 40 anos de moda, escrevendo sobre moda, ainda escrevo sobre moda, então eu acho que é um momento assim, especial, o Brasil merece ter essa academia, o Brasil merece ter esses membros, e hoje enfim nós vamos ter uma homenagem a uma dessas pessoas, que já faleceu, agora, que foi o Marco Rica, então eu fico muito feliz de estar aqui.” – Lu Catoira, Jornalista, Editora e Produtora de Moda, sobre a noite de gala / Fotografia: Acervo pessoal

 

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Mary e Haroldo Costa / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Vera Bocayuva, Yolanda e Yara Figueiredo, Carlos Serpa e amiga / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Gloria Paranaguá e Sílvia Fraga / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Miriam Gagliardi e Vanja Chermont de Brito / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Ricardo de Castro, Hilde e Vanja Chermont de Brito / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Rogério e Tereza Vaz e Amaro Leandro / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Susi Cantarino / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Renata Fratton e Ana Maria Legori / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Cecilia Garotti , Nina Kauffmann e Jessica Garducci / Fotografia: Marcelo Borgongino

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Pronunciamento “P”

Após a sua consagração, o professor João Braga ainda nos presenteou com um discurso emocionante e inusitado, produzido pela aliteração da letra “P”, de professor 🙂

 

PRONUNCIAMENTO P

Pulo protocolo. Prólogo preparatório para pronunciamento poético pelo percurso pessoal para proferir posse professor.

PASSADO – PRESENTE – PORVIR

Parentes, pessoas próximas, profissionais, público presente, plateia plena.

Parágrafo. Primeiro Pindorama, palmeiras; posteriormente pau-brasil. País promissor.

Pneuma. Parido Paraíba, “potamópolis”. Pai proeminente profissional. Pisei profundo, prematuramente. Pequeno pintava. Profecia? Possivelmente! Persisti. Parecia pura promessa.

Por professoras/professores principiei-me. Pessoalmente palpitei-me proto professor. Persuadi-me.

Parei pela Pauliceia; pura pulsão, paradoxos, plural. Parei, pensei; preferi permanecer. Portanto, perguntei-me: predestinação? Possivelmente! Pacto pessoal, profissional. Práticas, pormenores, perspectivas,

Potencializações, pontuações, pujanças…persistência.

Por processos perigosos, provações, provocações, perseguições passei. Ponderei palavras. Pudento pelo próximo, pulei problemas. Por pueril postura procurei parceiras. Por paradigmas passei.

Para padrinho professor perguntei. Para preferida professora prostrei-me. Para patrão proclamei personalidade própria. Preferi progredir, pequenamente, ponderadamente.

Preocupações, paixões, penumbras, problemas pulmonares, pleuris, pungências, plenos pesadelos, possessões, precipícios psicológicos. Péssimos pensamentos pipocaram, proliferaram. Profanei; pequei. Piorei, protelei, procrastinei.

Pulso presente, prossegui, persisti. Pensamentos positivos, primorosos. Prodígios prosperaram. Progresso pessoal.

Pigmentos pincelei, panos pintei, produzi padrões, panóplias. Pantominas protagonizei. Permiti-me pesquisar pinturas: Pablo Picasso, Portinari, Pancetti, pichações públicas. Pasmei perante pulsantes produções.

Parafraseei pensamentos; para polida Pascolato préstimos pedi. Processos, possibilidades.

Paquerei, pisquei, posei. Palestras proferi, por púlpitos pronunciei-me.

Prefácios, posfácios prescrevi. Publiquei. Por penas, papeis pratiquei, prossegui, permaneci. Pretérito perfeito para posteridade.

Perguntei: prossigo professor? Por pouco parei; porém permaneci. Primorosa preferência. Penso, portanto prossigo.

Precepitivo; publícolo para pueris pessoas: pimpolhos, pupilas, punks, piriguetes, poderosas peruas, personalidades públicas, personagens.

“Professor pop” pronunciaram-me. Prognosticamente por príncipe pareceram-me. Para princesa Paola professorei. Para público promissor postulei. Para preguiçosos, problemáticos, pretensiosos, pernósticos pude passar por pai, padrasto, psicólogo. Por paternal proteção persuadia. Preferia polidez.

Peregrinei por Portugal, Praga, Piauí, Paraná, Pará, Paraíba, Pernambuco, pelo planalto, Petrópolis, Paraty, Pomerode. Por Paris passei, pirei. “Passion”, “plaisir”, “presque parfait prononciation”. Perambulei procurando produtos “prêt-à-porter”. Pulôver purpura, paletó preto? Prezo pela policromia. Penetrei palácios, palacetes, portas preciosas, pitorescas paisagens. “Pas prostibule, pas prostituirion”. “Perdon, pas portable”. Proclamei Paul Poiret, Patou, Paquin, Pierre, Paul, profissionais primorosos, prodigiosos, perfeitas pérolas.

Portanto posso pensar: prescrevi pontuais palavras para posteridade, possivelmente póstuma. Pensatas prolixas, prolóquios, perfeitos pleonasmos.

Poxa, preciso parar. Posso partir.

PRECE

Persigno-me.

Pai, paráclito, peço-nos proteção para prosseguir pela passageira passagem para pacificar pessoas; para posteriormente permanecer prazerosamente, perenemente, perpetuamente pelo pleno paraíso.

Pax.

Ponto.

 



A Academia

20170804_171027Fundada em 1995, por ocasião do I Congresso da Moda do Brasil (I Cobram), a Academia Brasileira da Moda é um órgão estatutário do Instituto Zuzu Angel, o IZA; o evento à época foi realizado no campus da Universidade Veiga de Almeida, a UVA, com a presença de grandes da moda internacional, como Hubert de Givenchy, Oscar de La Renta, Philipe Venet e Eleanor Lambert.

Naquele mesmo ano foi inaugurado o 1º Curso Superior de Moda do Estado do Rio de Janeiro, uma parceria do IZA com a UVA, e celebrado o intercâmbio do Instituto Zuzu Angel com a escola de moda de Paris (Esmod) e com a Air France, o que permitiu enviar, anualmente, e gratuitamente, dois bolsistas formandos para cursos de extensão de seis meses na França. Posteriormente, foi assinado um termo de parceria semelhante com a Université de Lyon, garantindo aos alunos do Curso Superior de Moda mais duas bolsas anuais.Durante os 13 anos de ligação com a Universidade Veiga de Almeida também foi criado o primeiro curso de graduação de joalheria, com a doação ao campus de uma oficina/laboratório pela indústria Anglogold, como reconhecimento pela qualidade do trabalho da Academia Brasileira de Moda.

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Salão principal da Academia Brasileira de Moda / Fotografia: Marcelo Borgongino

Estabeleceram parcerias com o Sebrae, com a Amebrás (Associação de Mulheres das Escolas de Samba), com a Universidade de Palermo, na Argentina, a Universidade de Ganexa, no Panamá, com o Atelier Tirelli, em Roma, para onde foram enviadas duas estagiárias. Criaram a primeira pós-graduação em moda no Rio de Janeiro, e coordenaram a pós da Universidade do Pará, a Unama, bem como os cursos técnico e de graduação da Universidade Estácio de Sá por 5 anos; criaram o SIM – Saber Itinerante da Moda, constando de cursos livres, como o Projeto Zuleikinhas, de costura e estilo para crianças, ministrado por Alice Tapajós, e os Cursos de Museologia da Moda, trazendo ao Brasil a diretora das Coleções Reais da Dinamarca, Katia Johansen.

O vínculo com o mundo acadêmico permitiu à ABM ampliar nacionalmente a proposta da “moda com identidade brasileira”, idealizada por Zuzu Angel, que cunhou a frase “A moda brasileira só poderá ser internacional se for legítima”.

 

 


#Gratidão