ArtRio e IDA fazem história na Marina da Glória, RJ!

 

dsc_6682_

Obra de Raul Mourão na esplanada, Marina da Glória / Fotografia: Luis Moras

A Feira Internacional de Arte, a ArtRio, veio como um oásis em meio ao deserto das limitações que tentam impôr, a todo custo, à liberdade de expressão do pequeno grupo de 7% que consome arte, de fato, em nosso país, nas últimas semanas; junto a vários eventos correlatos em diversos pontos da cidade, desde a Fábrica da Bhering, no Santo Cristo, zona portuária da cidade, até a Zona Sul do Rio, o evento reuniu cerca de 48 mil pessoas somente na Marina da Glória, seu novo endereço, compartilhado com a IDA, Feira de Design, e se consagra como o evento mais importante do setor em 2017.

dsc_6712_

Fotografia: Luis Moras

Como ainda existe um senso comum onde a arte está num plano inatingível na cabeça das pessoas, trouxe um olhar diferente sobre meus 5 dias de experiência nas feiras de arte e design;

Nos dias do ArtRio produzi stories diários no Instagram e outros registros pra ninguém ficar de fora do evento, e pra quem perdeu – ou quiser relembrar – seguem alguns momentos memoráveis e algumas impressões do ciclo de artes e design que agitou a cidade!

 

Intervenções Bradesco ArtRio

A maratona começou com o Intervenções Bradesco ArtRio nos jardins do MAM, na tarde do dia 12/9, cujo ponto de partida é a própria idéia de pluralidade inerente ao urbano.

Marcada pela diversidade, o objetivo da exposição, que teve a sua 5ª edição, é a de levar arte para locais públicos, permitindo novas articulações entre as obras, espaços e o público.

Com a curadoria de Fernanda Lopes e Fernando Cocchiarale, o conjunto dos 10 artistas convidados – Débora Bolsoni, Floriano Romano, Guga Ferraz, Gustavo Prado, Joanar Cesar, João Loureiro, João Modé, Jorge Soledar, Lais Myrrha e Maya Dikstein – são de diferentes gerações, apresentando maneiras variadas de lidar com o espaço urbano e a produção artística.

20170912_162311

Performance “Vão” nos pilotis do MAM / Acervo pessoal

Todas as propostas lidam com a questão escultórica, não só através de objetos tridimensionais (de diferentes escalas), mas também através do som e do corpo, incorporando, por exemplo, o espaço (físico e institucional), a arquitetura e a paisagem (natural e humana).

A chegada já foi marcada pela magia da performance sensorial “Vão”, do grupo Maya Dikstein, que aproveitou o vão dos pilotis para executar divinamente, em meio à performance corporal, complexos sons acapella, que ecoavam até a passarela sobre o Aterro; as interpretações foram as mais diversas possíveis, desde reconectar o público ao nosso primeiro e último sentido, a audição, tão perdida na profusão de sons da cidade nos dias de hoje, até expressar emoções de vivências cotidianas através dos poderosos vocais dos artistas envolvidos.

img-20170912-wa0094 img-20170912-wa0096

Teaser disponível no facebook >>> https://www.facebook.com/museudeartemodernadoriodejaneiro/videos/1609873482398045/

 

A curiosa instalação de Gustavo Prado espalhou vários espelhos convexos em frente a uma das empenas do museu a fim de permitir aos visitantes obterem visadas do edifício que normalmente passam despercebidas;

img-20170912-wa0097 A emblemática arte do artista Jorge Soledar, também chamou a atenção e possibilitou diferentes interpretações nos presentes; minha experiência foi bem marcante, pois de longe li um tronco em corte, que a princípio entendi como produzido em gesso;

Interpretei como uma crítica à degradação da natureza face à nossa intervenção, a intervenção humana…mas ao me aproximar, vi que a escultura era feita de açúcar, e trazia a logo da marca, então a leitura ganhou outro viés, vinculado aos nossos meios de produção…e vocês, o que acharam?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda nos pilotis, a aparente ordem dos pilares em ‘V’ projetados pelo arquiteto Afonso Eduardo Reidy, foi interrompida pela intervenção da artista Lais Myrrha que apoiou um pilar convencional, de seção quadrada, no similar arrojado, uma visão agoniante para os portadores de toc rs…então nasceu o questionamento: o passado estava muito à frente do nosso tempo ou é o presente que está ficando sem graça e irritante demais? O futuro reserva muitas dúvidas…img-20170912-wa0098

 

Para encerrar, a arte de João Loureiro representou nos jardins do MAM, mas só para os olhares mais atentos: no lugar das bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro, cheques em branco flamulavam nos estandartes.img-20170912-wa0099

Fotografias (stories): Acervo pessoal

 

Bom, estas foram algumas das minhas impressões, compartilhe as suas com a gente você também!

 

 

ArtRio

20170913_150639

Chegando no pavilhão da ArtRio 2017 / Acervo pessoal

A ArtRio foi um enorme sucesso de público e crítica; o novo espaço criou uma fluidez maior entre todos os segmentos da feira e favoreceu uma interação maior do público com evento. Entre os visitantes, vários artistas, como Humberto Carrão, Vladmir Brichta, Murilo Benício e Marisa Orth, também marcaram presença em alguns dias de visitação durante a semana e no cocktail de abertura da feira.

img-20170914-wa0022

Galerias ArtRio 2017 Acervo pessoal

O circuito se abria para a esplanada da Marina da Glória, e dispersava a multidão entre as áreas do lounge, com bares, food trucks e um enorme espaço de contemplação coroado pela obra de Raul Mourão;

20170917_175100

Lounge ArtRio 2017 / Acervo pessoal

20170913_172606

Lounge ArtRio 2017, pavilhão da IDA ao fundo, obra de Raul Mourão à direita / Acervo pessoal

A ArtRio também se revelou uma ode à diversidade <3

 

whatsapp-image-2017-10-13-at-19-32-27-2

Vinícius Rosa, universitário / Fotografia: Monique Carvalho

whatsapp-image-2017-10-13-at-19-32-28

Sjaron Minailo, diretor de ópera / Fotografia: Monique Carvalho

whatsapp-image-2017-10-13-at-19-32-29

Roberta de Pádua, curadora de conteúdo da Cause Magazine / Fotografia: Monique Carvalho

O passeio até o espaço do pavilhão da IDA, Feira de Design, recebeu o espaço We Work, que apresentou vários talks, como o dos artistas Marcelo Eco e Toz, que compartilharam sua rica e surpreendente trajetória com os presentes, trazendo a arte urbana para os holofotes da ArtRio, além dos programas PALAVRA, SOLO, o MIRA videoarte, PANORAMA e VISTA.

20170916_190427__

Toz e Marcelo Eco em “A arte urbana empreendedora” / Acervo pessoal

20170913_173117

Pavilhão da IDA / Acervo pessoal

20170913_173215_ 20170915_185504_

Lounge ArtRio 2017 / Acervo pessoal

 

Logo na entrada do pavilhão da ArtRio, duas obras fantásticas de Iberê Camargo e Franz Krajcberg saudavam o público logo de cara; estilos e épocas se misturavam, desde o realismo até a arte contemporânea, passando por produções históricas, como as de Di Cavalcanti e Cândido Portinari, ao longo das 51 galerias;

img-20170914-wa0020 img-20170914-wa0021

Acervo pessoal

20170915_200816

“Praia das Flechas (Niterói)” Nicolau Facchinetti, 1889 / Acervo pessoal

20170916_204616

“Auto retrato”, Vik Muniz (2003) / Acervo pessoal

 

Algumas peças em exposição na IDA também fizeram parte da ArtRio, como as esculturas mobiliárias do atelier Hugo França; expressão usada primeiramente pela crítica Ethel Leon e adotada pelo designer por sua precisão em descrever a produção que ele executa a partir de resíduos florestais e urbanos: árvores condenadas naturalmente, por ação das intempéries ou pela ação do homem. O resultado são peças únicas, que criaram uma grande área de estar e interação junto ao público no passeio entre as galerias de arte.

20170917_174125_

Desfrutando o mobiliário do Atelier Hugo França / Acervo pessoal

Na ArtRio, muitas obras com um forte viés político fizeram grande sucesso junto ao público, e lotaram algumas galerias; é o senso crítico subvertendo o senso comum.

dsc_6673_

Fotografia: Luis Moras

dsc_6669_

Fotografia: Luis Moras

O artista Lourival Cuquinha trouxe uma reflexão acerca da recente reforma trabalhista, remetendo ao apagamento do povo brasileiro enquanto indivíduos, através de uma exposição de carteiras de trabalho dispostas lado a lado, em degradê, desde o branco, passando pelo rosa, vermelho e azul até chegar ao preto;

img-20170914-wa0024

Lourival Cuquinha / Acervo pessoal

Outra instalação do mesmo artista, “helicoca”, trouxe à tona o caso do helicóptero que desapareceu com ~meia tonelada de pasta base de cocaína em 2013, no Espírito Santo, cujos suspeitos continuam em liberdade; ao lado, duas garrafas, de Pinho Sol e de água sanitária, lembravam que outro suspeito, Rafael Braga, continuava preso, por conta de um crime que nunca existiu.

img-20170914-wa0023

Lourival Cuquinha / Acervo pessoal

Lourival também causou impacto com uma fotografia que reproduzia o caso do jovem acorrentado a um poste com uma tranca de bicicleta no Aterro do Flamengo em 2014, quando “justiceiros” se reuniram para punir o adolescente, que tem registros criminais por roubo e furto,  com as próprias mãos; mas no lugar de um jovem negro e nu, o artista reviveu a cena com um jovem branco e igualmente nu.

img-20170914-wa0025

Lourival Cuquinha / Acervo pessoal

Outra crítica que reuniu muitos visitantes foi a obra “Olimpíadas” (2016), da artista Dora Longo Bahia; ela colecionou jornais da época das Olimpíadas no Brasil e pintou sobre cada primeira página a imagem de um palhaço. Foram 48 pinturas feitas sobre capas de 3 jornais diferentes durante 16 dias consecutivos de cobertura jornalística em torno do evento, e resultado pôde ser conferido na ArtRio 2017.

20170916_201722_

Dora Longo Bahia / Acervo pessoal

Algumas obras, como as singelas e etéreas instalações do artista cubano Jorge Mayet, causaram profundo encantamento nos visitantes: através delas Mayet expressava as lembranças de sua terra natal, mostrando algumas peculiaridades das suas vivências, como plantas nativas, plumas e habitações. Atualmente Jorge vive há anos em Palma de Mallorca, na Espanha.

20170913_190753_ 20170913_190909_Jorge Mayet / Acervo pessoal

img-20170914-wa0170

Jorge Mayet / Acervo pessoal

As cores vibrantes e o abstracionismo das produções dos artistas Lívia Moura e Pedro Varela também chamaram a atenção:

20170913_190924_

Lívia Moura (2017) / Acervo pessoal

20170915_192017 20170915_192028

Trechos de Pedro Varela (2017) / Acervo pessoal

 

E o que dizer do “Pacto Sinistro” assinado pelo artista Daniel Lannes? Foi interessante observar a reação das pessoas após ler a descrição da obra:

img-20170914-wa0176

“Pacto Sinistro” Daniel Lannes, 2017 – Por volta de 1871 o alemão Frederic Nietzsche entrou por engano num vagão de um trem que viajava pela Áustria. Ao perceber o equívoco, Nietzsche tentou se retirar, mas o ocupante do luxuoso recinto o convidou a continuar a viagem junto dele. O ocupante começou a conversar com o filósofo sobre diversos assuntos, se mostrando um grande interessado em história, falava em diversas línguas (antigas e modernas) e se mostrava um entusiasta da filosofia. Após uma hora de viagem Nietzsche chegou a seu destino e desceu do trem. Impressionado com o nível cultural do companheiro do vagão, quis saber de quem se tratava o ilustre passageiro: era ninguém menos que Dom Pedro II, imperador do Brasil.

dsc_6715_

Fotografia: Luis Moras

Se eu pudesse, postava mil! Haha

Muita coisa boa rolou nesta edição da ArtRio e é praticamente impossível registrar todas as impressões de toda a feira: a experiência é pessoal e intransferível.

Mas vocês ainda verão muitas obras da ArtRio2017 no meu instagram, e para o ano que vem a nova data já está marcada: em 2018, a ArtRio acontecerá entre os dias 05 e 09 de setembro.

Então reservem pelo menos uma data aí na agenda, pois a feira é enorme, e vão se preparando para curtir estes cinco dias mágicos – viva essa experiência você também!

dsc_6676_

Fotografia: Luis Moras

 

IDA

 

A IDA, Feira de Design, proporciona outros tipos de experiências; por serem mais funcionais e não haver grandes restrições em função de sua época de produção, atual, as obras geram uma empatia maior no público visitante, que se sente mais motivado a interagir com as mesmas.

20170913_175018

IDA 2017 / Acervo pessoal

Os dois últimos dias de visitação foram um enorme sucesso: famílias inteiras lotaram o pavilhão da IDA, e muitas crianças se divertiram bastante com alguns itens da exposição, como os cães elétricos da “Matilha” de Maneco Quinderé, e a poltrona Balanço Berço/SY, que no Tupi antigo significa Semente/Mãe/Origem, da Mameluca por Bolsa de Arte.

20170917_183026_

“Matilha”, por Maneco Quinderé / Acervo pessoal

dsc_6736_

Balanço Berço/SY, da Mameluca por Bolsa de Arte / Fotografia: Luis Moras

As peças desta coleção fazem uma imersão nesse mundo materno e convidam as pessoas a participarem passo a passo do processo embrionário, criando um vínculo afetivo e aprendendo a zelar pela vida que está no seu entorno; assim, a leitura da exposição começava nos anéis de sementeira, onde a plantinha cresce e tem que ser transplantada para o “Vaso Berço”, onde se mantém o vínculo emocional, ninando-a assim como o vento a nina com sua brisa no seu habitat natural. E o “Balanço Berço”, projetado segundo um grande útero, foi criado para sentirmos que fazemos parte desse SY.

img-20170914-wa0045

Apaixonada desde antes da feira, eu também embarquei na experiência porque sou dessas mesmo 😀 Fotografia: Monique Carvalho

Mas ver, nos dias de hoje, tantas crianças se conhecendo numa feira de design e se divertindo em uma peça, parte de um conceito tão belo, que não deixa de ser uma obra de arte, foi realmente emocionante <3

“Imagina, né, conseguir fazer uma coisa com que as crianças possam interagir, possam entrar e se divertir, isso é ótimo” Alessandra Clark, Galeria Mameluca

 

No último dia da feira conversei com alguns designers sobre as impressões da IDA em função da mudança para a Marina da Glória; segundo a própria Alessandra, a mudança foi ótima:

20170913_183652_

“O espaço é maravilhoso, a ambientação, a forma de disposição dos stands…acho que está muito mais agradável do que no cais, pra ser sincera; também achei ótimo o formato menor da parte de artes, porque deu tempo das pessoas chegarem na área do design” Alessandra Clarke / Acervo pessoal

Este também foi um comentário recorrente entre o público: algumas pessoas revelaram que, até o ano passado, chegavam à IDA cansadas e já sem paciência para curtir a feira, esgotadas pelo antigo circuito da ArtRio, e super aprovaram a nova localização; organização, feedback do público para vocês, estão de parabéns pelas mudanças!

untitled-4

Fotografia: Luis Moras

De acordo com Rodrigo Irffi, do Studio Iludi (MG), que participou da edição 2016, o antigo espaço era interessante devido ao reconhecimento da região do Porto Maravilha, mas a mudança para um local mais recluso, a Marina da Glória, só trouxe coisas boas e não impediu o público de lotar o evento.

“As pessoas que conhecem a feira e são fiéis, estão vindo aqui conhecer ou reconhecer, conhecer a nova arte, a nova arte contemporânea, a arte brasileira e o design, e isso eu acho muito interessante”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em relação à poltrona Void, um dos destaques do stand, que tem como pontos fortes o minimalismo, o design contemporâneo e o aço, metal lindamente trabalhado na maior parte dos itens da exposição, Rodrigo pontua:

“Como o conceito da feira está mais ligado ao design colecionável, a gente trouxe as peças que não são tão comerciais, não são vendidas comercialmente, são aquelas que tem um viés mais artístico, mais conceitual. Por isso a gente trouxe essas peças em metal, e como bons mineiros a gente tem o Amílcar de Castro como referência nossa, então a gente tomou como base o Amílcar como nosso ponto de partida para essa linha de aço.” Rodrigo Irffi, Studio Iludi 

dsc_6730_

Poltrona Void / Fotografia: Luis Moras

Para os cariocas do Coletivo Jardim Secreto, responsáveis pelo paisagismo de toda a feira, projetar o novo espaço foi um grande desafio: receberam uma área enorme e dispersa a ser conectada com diferentes programas, o oposto da zona portuária, que era praticamente um grande corredor, e ainda havia o risco da chuva.

dsc_6750_

“A IDA cresceu, ganhou corpo, amadureceu, então a gente está sentindo que essa passagem do armazém pra Marina deu corpo pra feira de design, está todo mundo mais animado; você deve ter observado que os próprios expositores ficaram mais orgulhosos de estar num lugar mais exclusivo”  Beatriz Chimenthi, Coletivo Jardim Secreto / Fotografia: Luis Moras

Beatriz também sentiu que os designers estão mais maduros em apresentar os seus trabalhos, e que a exposição está mais madura na sua organização; o espaço anterior era maior, no entanto criava um passeio mais disperso e cansativo.

dsc_6740_

“Está bem mais agradável, não está mais amontoado; a IDA era muito menor, metade do tamanho desta daqui. Senti uma diferença absurda, até o astral do local está muito mais gostoso” Vinicius Rios, Coletivo Jardim Secreto / Fotografia: Luis Moras

“O clima está mais descontraído, mais aberto, as pessoas circulam bem, não tem um stand fechado, é tudo em ‘L’; aqui acho que obrigou a concentrar galerias na ArtRio e deu a opção de abrir mais espaço para isso (…) As pessoas estão vindo especialmente porque vão comer, pra pegar essa vista maravilhosa que tem aqui, porque não tem nem muito o que fazer, né? É incrível, não precisa fazer nada, é só sentar ali e já está bom rs” – Beatriz Chimenthi

 

Fato <3

Não faltou o que contemplar nessa ArtRio fora do espaço das feiras.

img-20170914-wa0026 img-20170914-wa0080 img-20170914-wa0173

Fotografias: Acervo pessoal

 

A designer Miriam Loellmann, titular do Studio Loellmann, concorda que, apesar de o design ser mais comunicável, existe uma diferença na leitura de um evento para o outro – ArtRio e IDA – e que isso influi na receptividade do público;

20170917_183101_

“A arte é o elemento principal, e o design é a segunda, fica em segundo plano(..) eu imagino que se fosse só design, teria mais público porque a pessoa vai só pelo design, mas com 2 eventos elas se dividem, alguns se interessam por tudo e vão em tudo…eu estava preocupada porque é mais longe da arte, com a tenda eu ficava preocupada no início que as pessoas não chegassem nem aqui, e positivamente surpreendente que no final tinha bastante público” Miriam Loellmann / Acervo pessoal

Mas também achou a mudança muito positiva, e a energia, mais leve e mais alegre; o novo percurso, que passa pelas artes e chega num ambiente para comer e descansar, para só depois encontrar a feira de design tornou a experiência muito mais agradável e menos cansativa.

dsc_6767_

“A IDA melhorou muito, a apresentação, mais luz, os stands estão muito melhores, o tapete é muito melhor, você sente até no andar, não dá pra iluminar muito (ela quis dizer que como o tapete é cinza escuro, não há muita reflexão nos objetos, o que faz deles os personagens principais da feira de design, e o stress visual é baixo). A IDA deu um up total, achei muito bom” – Miriam Loellmann / Fotografia: Luis Moras

 

 

Prêmio Foco Bradesco ArtRio

fleishman_strip_105883_6_full_entrega-do-premio-foco-bradesco-artrio-cl-salvaro-ismael-monticelli-iris-helena-araujo-brenda-valansi-bernardo-mosqueira

Entrega do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio: Cleverson Luis Salvaro, Ismael Monticelli, Iris Helena Araujo, Brenda Valansi e Bernardo Mosqueira / Fotografia: Murillo Tinoco

O Prêmio FOCO Bradesco ArtRio, premiou, no dia 14/9, os artistas selecionados em 2017 com a participação em residências artísticas em reconhecidas instituições e também irão expor seus trabalhos em um estande especial na ArtRio deste ano; Iris Helena, Cleverson Luiz Salvaro e Ismael Agliardi Monticelli receberam bolsas para se dedicarem exclusivamente as suas pesquisas durante os períodos de residência!

As residências do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio em 2017 são:

– Rio de Janeiro – Residência Saracura – Responsável: Paula Borghi

– Minas Gerais – Residência Ecovila Terra Una – Responsável: Nadam Guerra

– Piauí (Teresina e São Raimundo Nonato) – Residência CAMPO + Fundação Museu do Homem Americano – Responsáveis: Marcelo Evelin e Niéde Guidon

A seleção dos vencedores é feita por um Comitê Curatorial independente com a direção do curador do Prêmio, Bernardo Mosqueira, e representantes de cada uma das instituições parceiras; Paula Borghi (Saracura), Nadam Guerra (Ecovila Terra Una); Marcelo Evelin e Niéde Guidon (Residência CAMPO + Fundação Museu do Homem Americano).

 

Artistas selecionados:

 

Cleverson Luiz Salvaro

Residência CAMPO + Fundação Museu do Homem Americano

fleishman_strip_104630_6_full_obra-vazamentos-contena%c2%a7a%c2%b5es-obra-de-cleverson-luiz-salvaro

Obra “Rombo”, da exposição individual “Vazamentos, contenções”, de Cleverson Luiz Salvaro

Natural de Curitiba, é formado pela Faculdade de Artes do Paraná, com Mestrado em Artes Visuais, PPGAV da Universidade do Estado de Santa Catarina. Já teve exposições individuais em espaços como Memorial Minas Gerais Vale, Centro Cultural São Paulo e Memoria de Curitiba. Hoje vive e trabalha em Belo Horizonte.

Foi selecionado para coletivas como Biennale de Québec – Manif d’art 5, no Canadá; 63º Salão Paranaense, MAC-PR; Bolsa Pampulha 2010/2011, Museu de Arte da Pampulha em Belo Horizonte; e 6ª VentoSul – Bienal de Curitiba.

Durante a ArtRio 2017, sua proposta é mostrar a reconstrução do espaço, como forma de revelar os bastidores do processo de exposição, deixando à mostra as estruturas dos painéis e demais materiais utilizados.

Para a residência, quer buscar o processo de humanização através do qual os espaços naturais se transformam – seguindo a pergunta “Quais seriam os indícios da passagem do homem contemporâneo que permaneceriam através do tempo?”.

 

Iris Helena

Residência Saracura

fleishman_strip_104630_1_full_obra-imaginario-cartografico-iris-helena

Obra Imaginário Cartográfico, de Iris Helena

Nascida em João Pessoa, na Paraíba, é graduada em Artes Visuais Universidade Federal da Paraíba, Mestre em Artes – Poéticas Contemporâneas e doutoranda em Métodos e Processo em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília. Sua pesquisa caracteriza-se pela investigação crítica, filosófica, estética e poética da paisagem urbana a partir de uma abordagem dialógica entre a imagem da cidade e as superfícies/suportes escolhidos para materializá-la.

A artista já produziu cinco exposições individuais e participou de importantes mostras coletivas. Recebeu menção honrosa no 61º Salão de Abril em Fortaleza (2010) e no II Prêmio EDP nas Artes, no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo (2011). Vive e trabalha em Brasília, onde integra o grupo de artistas pesquisadores VAGA-MUNDO: poéticas nômades.

Na ArtRio 2017, vai apresentar a instalação “Imaginário cartográfico de uma cidade brasileira”, que será formada por cerca de 50 cascas de paredes de casas e ruínas variadas impressas a jato de tinta. As imagens impressas formam o mapa de uma cidade síntese brasileira.

Sua proposta para a residência é avanças na pesquisa sobre a formação das cidades brasileiras. Em seu trabalho, a artista busca pensar “historicamente, conceitualmente e poeticamente” como são os espaços utilizados pelo coletivo, lugares de reuniões, manifestações e cultos, de ritos e de integração social.

 

Ismael Agliardi Monticelli

Residência Ecovila Terra Una

fleishman_strip_104630_4_full_ismael-monticelli-projeto-obsessao-miaoda-manual-de-instrua%c2%a7a%c2%b5es-obra-de-ismael-monticelli

Projeto “Obsessão miúda: Manual de instruções”, obra de Ismael Monticelli

Natural de Porto Alegre, é bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, e mestre em Artes Visuais pela UFPel.

Foi destaque na seleção da Bolsa Iberê Camargo 2011, e premiado no Festival de Fotografia HTTPpix, no Instituto Sergio Motta em São Paulo, 2010. Realizou individuais em diferentes cidades brasileiras e também participou de coletivas no país.

No estande da ArtRio, vai apresentar a maquete/labirinto “Obsessão Miúda”.

Para a residência, sua pesquisa tem início no Morro do Castelo, marco inicial da cidade do Rio de Janeiro. Com as reformas urbanísticas na cidade, aberturas de praças e avenidas e mudanças na própria organização dos bairros, o Morro do Castelo foi gradativamente sumindo do mapa urbano – tanto em aspecto físico como em aspecto social, com a perda de seus moradores. A proposta de trabalho vai, com uma linguagem artística e poética, mostrar as cicatrizes que esse vazio físico e social deixou, e também a relação do poder público com o patrimônio material e imaterial da cidade e de seus habitantes.

 

Balanço ArtRio 2017

 

dsc_6665_

Fotografia: Luis Moras

No mês em que o Rio de Janeiro foi cenário de importantes eventos culturais, a ArtRio estreou de forma positiva no novo endereço, a Marina da Glória. Cerca de 48 mil pessoas visitaram a feira de arte, reforçando que o mercado continua forte no país e a economia dá sinais de recuperação. O evento aconteceu entre os dias 13 e 17 de setembro e ocupou uma área de 10.600 m².

A ArtRio focou nesta edição em trazer colecionadores e curadores de fora do Rio de Janeiro, brasileiros e internacionais. A organização do evento convidou um grupo 50 pessoas que, além da ArtRio, visitaram ateliês, museus e instituições culturais na cidade.

fleishman_strip_105883_4_full_brenda-valansi-presidente-da-artrio

“Estamos muito felizes com a realização da ArtRio 2017. A mudança para a Marina da Glória foi extremamente positiva e esse formato aprovado tanto pelos galeristas como pelo público. Entendemos que a principal resposta sobre a importância da feira para o mercado está na forte presença de colecionadores e curadores, mostrando confiança no evento e na valorização da arte. Tivemos um público fenomenal, atingindo nossa capacidade máxima, o que reforça a certeza de que existe público para a arte no Rio de Janeiro”, indica Brenda Valansi, presidente da ArtRio / Fotografia: Murillo Tinoco

Em 2018, a ArtRio acontecerá entre os dias 05 e 09 de setembro.

A ArtRio este ano contou com os tradicionais programas PANORAMA e VISTA, com galerias brasileiras e estrangeiras. A feira teve ainda três programas curados: SOLO, com a curadoria de Kelly Taxter, co-curadora do Jewish Museum; MIRA, com curadoria de Bernardo José de Souza, curador da Fundação Iberê Camargo, e PALAVRA, com curadoria de Claudia Sehbe.

dsc_6664_

Fotografia: Luis Moras

Em 2017 também a ArtRio bateu recorde de participação de empresas como patrocinadoras e apoiadoras do evento. Pelo sexto ano consecutivo, o evento teve apresentação do Bradesco, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. As marcas CIELO e Stella Artois fizeram sua estreia na feira já como patrocinadoras.

A ArtRio teve ainda o apoio das marcas Minalba, IRB Brasil RE e Pirelli, e apoio institucional da Estácio, Klabin, High End e CasaShopping.elo sétimo ano consecutivo, e desde sua primeira edição, a ArtRio teve a isenção de ICMS na aquisição de peças internacionais compradas por residentes no estado do Rio de Janeiro.

untitled-2

Fotografia: Luis Moras

Além da presença das grandes galerias e de artistas consagrados mundialmente, a ArtRio tem entre suas metas apresentar e reconhecer novos nomes do segmento da arte. Um dos programas da feira, o VISTA, é dedicado às galerias jovens, que desenvolvem propostas artísticas inovadoras especialmente para a feira.

Dentro da programação oficial da ArtRio, aconteceu também a IDA, feira de design que contou com 23 expositores. Todas as peças presentes na IDA são seriadas ou exclusivas, e reforçam a força e o reconhecimento do design brasileiro.

dsc_6737_

Fotografia: Luis Moras

Além do mercado da arte, a ArtRio movimenta toda a cadeia econômica da cidade. Para a realização da feira foram gerados 3.400 empregos diretos e indiretos, além da atuação de 64 empresas.

 

 



 

20170827_121857_

Zona portuária, agosto de 2017 / Acervo pessoal

#CompartilheArte

artrio.art.br