A Desconstrução da Identidade de Gênero na Moda

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Ao que parece, a desconstrução dos estereótipos de gênero levantadas nas últimas décadas por ícones como Grace Jones e David Bowie, iniciada oficialmente nas passarelas por Jean Paul Gaultier nos anos 80, e densamente revisitada por marcas como Gucci, Vivienne Westwood e Louis Vuitton ano passado, finalmente começou a render frutos aqui no Brasil!

Com a campanha ‘Misture, Ouse, Divirta-se’ e a tag ‘Tudo lindo e misturado’, a C&A deu o primeiro passo para fomentar esta discussão em terras tupiniquins e direcionar às massas a reflexão acerca da identidade com a qual nos sentimos mais confortáveis. O que automaticamente nos leva a refletir sobre como nos posicionamos em relação ao que ainda é tido como “diferente”, ao tentar trazer para as ruas uma estética mais unissex para suas roupas.

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Visitando as lojas, vemos nas araras muitas cores neutras recortadas por tons vibrantes e terrosos; maxi camisetas e regatas com tecidos fluidos e/ou corroídos, estampas localizadas e corridas em temas florais, étnicos e temáticos, entre outras com elementos boho, folk e psicodélicos, inclusive franjas e detalhes em renda.

Jardineiras vieram como um coringa para ambos os gostos e corpos, já que esta peça sim é uma verdadeira unissex, e inovar na modelagem de shorts e calças é uma tarefa bem mais complexa. Camisas jeans, queridinhas do público e outro mote inteligente da marca para a campanha, também dão o ar da graça, com lavagens e estampas bem trabalhadas.

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No entanto, solicitada orientação, as vendedoras não definem a coleção e a campanha como ‘unissex’, mas como um convite para que o cliente ‘vista o que quiser’ e ‘seja o que quiser’…o que aparenta uma saída pela tangente diante de tantas discussões políticas que têm rolado atualmente acerca de temas tão complexos e que nunca tiveram a visibilidade que mereciam. Mas esta me pareceu uma saída digna para quem ousou dar um passo além e se posicionar sem parecer oportunista ou irresponsável, como uns e outros por aí.

A identidade de gênero sempre vai existir, mas o preconceito que permeia o que foi socialmente definido finalmente começa a dar sinais de que está com os dias contados, e isso é animador! Porque não é uma questão de extremismos, sobre o que define um ser humano enquanto homem ou mulher, mas sim sobre a inclusão e o respeito por todos os que não se enquadram no que está pré-definido, por assim dizer…e isso verdadeiramente é ser humano.

Os tempos podem não estar fáceis, mas certamente esta é a melhor época pra se viver…para testemunhar estas mudanças e fazer parte delas!

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