Estilistas Internacionais: Jeanne Paquin

A coluna Estilistas Brasileiros já existe aqui no OM há algum tempo, mas agora vou falar semanalmente de um estilista e designer internacional também.

Hoje vamos conhecer a designer Jeanne Paquin, que foi a primeira a abrir sua própria loja em Paris e ser aceita na Haute Couture.

Paquin nasceu em Saint-Denis, em 1869. Começou sua carreira fazendo vestidos na Maison Rouff e em 1891 seu marido, Isidore Paquin, ajudou-a a abrir a House of Paquin ou Maison Paquin. A Maison ficava na Rue de la Paix, próxima à House of Worth ou Maison Worth. A Maison Paquin foi ficando conhecida e durante os anos de popularidade, empregou mais de dois mil trabalhadores.

Como o seu marido era banqueiro e tinha grande influência na sociedade, ela pode frequentar a alta sociedade e continuar com seu trabalho de forma brilhante.

Jeanne Paquin foi a primeira parisiense a ganhar acesso ao mercado internacional abrindo lojas em Londres e Nova York em 1912. A Maison Paquin tinha uma clientela rica e famosa, e Madame Paquin, como Jeanne ficou conhecida, desenhou roupas para a Rainha da Bélgica, Portugal e Espanha. Além disso, para atrizes da La Belle Époque, Liane de Pougy e La Belle Otero.

Madame Paquin desenhou peças para todas as ocasiões, desde os trajes mais luxuosos até vestidos e tailleurs para usar no dia-a-dia. Ela produziu também, lindíssimos chapéus.

Jeanne era uma artista brilhante que criava roupas inovadoras e criativas. Ela usava técnicas incomuns de costura e tecidos e acessórios que deixavam o visual final super harmônico.

jeanne paquin criações

Sua filosofia de moda era semelhante a de Lanvin e Vionnet, pois com muita praticidade e pragmatismo, Paquin sabia exatamente o que as mulheres queriam e aos poucos ia introduzindo algumas novidades. Dessa maneira, as mudanças nunca eram radicais demais e as mulheres aceitavam-nas muito bem.

Diferente da maioria dos estilistas, Jeanne investiu em publicidade! Colocou cartazes com desenhos de suas criações em vários teatros e foi assim que, pela primeira vez, manequins vestidas com suas criações à Ópera.

Um de seus maiores feitos aconteceu em 1900, quando Paquin foi escolhida pelos colegas para presidir o setor de alta-costura do evento de inauguração da Torre Eiffel (Exposição Universal). Logo na entrada da feira tinha uma estátua enorme chamada a Parisiense, que exibia um modelo da estilista.

Depois da morte do seu marido em 1907, Henri Joire, meio-irmão de Jeanne, começou a auxiliá-la na parte administrativa. Foi quando seu trabalho teve uma grande influência oriental, com casacos tipo quimono (tipo os que vemos hoje em dia.. quem diria, né?).

Uma declaração de Paquin em 1910 se faz atual ainda hoje e ouso dizer que não está relacionada apenas à alta-costura: “O primeiro mandamento da alta-costura é que a moda deve ser nova e corresponder ao padrão de beleza e ao estilo de vida atuais”.

Durante os anos de 1917 a 1919, ela presidiu a Chambre Syndicale de La Couture (Câmara Sindical da Costura) e logo depois aposentou-se (1920), aos 51 anos. Quem ficou em seu lugar foi uma antiga funcionária, Madeleine Wallis.

Na primeira coleção, Wallis fez uma releitura excelente das golas boule (golas em forma de anel que circunda o pescoço), uma tradição da casa. Já em 1936, quem assumiu o cargo de estilista agradando a clientela espanhola, foi Ana de pombo.

Em 1942, Antonio Del Castillo a substituiu e criou uma coleção cujos vestidos para noite buscavam inspiração em Goya. Em 1945, a Maison Paquin, então sob o comando de Castillo e o assistente Pierre Cardin, foi contratada por Marcel Escofier e Chirtian Bérard para criar o guarda roupa de A bela e a fera. Em 1946, Colete Massignac substituiu Castillo, e em 1949 Lou Claviere reavivou uma imagem da casa com a coleção Torpedo. Em 1956, com 65 anos de existência, fechou a Paquin-Worth.


Fonte: Fashion in Time (tradução Rafa Rabelo) e Andrea Vita