IV Festival Olonadé – Homenagens à atriz Ruth de Souza e à cena afrobrasileira

Existe cultura fora das Olimpíadas!

A partir de hoje, no Rio de Janeiro,  a Cia dos Comuns promoverá o IV Olonadé – A cena negra brasileira – mostra de artística de teatro e dança que reunirá um total de 8 espetáculos numa proposta de mostrar a riqueza e singularidade da arte e da cultura de matriz africana em desenvolvimento hoje no Brasil; também estão previstas oficinas e mesas de debates que tratarão de performance e estética negra.

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Com toda a programação gratuita, os espetáculos serão apresentados no Teatro Cacilda Becker e as oficinas serão realizadas no Terreiro Contemporâneo (Centro / RJ). Estas serão voltadas para pessoas com práticas artísticas no campo da arte negra, visando a formação de novos profissionais, numa perspectiva integradora entre teoria e prática. Entre as atividades haverá as de Interpretação, com os diretores Ângelo Flávio, Grace PassôJessé Oliveira; Capoeira, com o ator e professor Duda Fonseca; Dança afro, com atriz e bailarina Valéria Monã e Danças Populares, com atriz e bailarina Gabriela Luiz.

Além disso o IV Olonadé – A cena negra brasileira prestará uma homenagem especial à atriz Ruth de Souza, uma das maiores divas do cinema e do teatro brasileiros, celebrando seus 70 anos de trajetória profissional.

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Numa época fortemente influenciada por teorias racistas como a “democracia racial” e a “ideologia do branqueamento”, quando era comum receber negativas sob a justificativa de que “não havia outros artistas com a sua cor de pele”, Ruth subverteu o sistema e foi a primeira atriz brasileira a ser indicada para um prêmio internacional pelo filme “Sinhá Moça” (1954). O longa foi prestigiado nos Festivais de Berlim e Veneza, sendo finalista neste último, onde Ruth de Souza disputou o prêmio com estrelas do calibre de Katherine Hepburn, Michele Morgan e Lili Palmer.Ruth-de-souza-2

“Homenagear a Dona Ruth de Souza é uma forma de agradecê-la pelo talento e vocação que demonstrou durante décadas na arte de representar. Cuido com muito carinho e zelo do privilégio de ser colega de Dona Ruth nesse oficio que escolhi que é o de ser artista.” Hilton Cobra, fundador e diretor da Cia dos Comuns.

rl2Toda a programação visual do evento usa imagens da atriz em uma das montagens teatrais que ela integrou com o TEN – Teatro Experimental do Negro, companhia revolucionária criada em 1945, visando promover a dignidade humana do cidadão afro-descendente no Brasil. E no sábado (13), D. Ruth será homenageada no Cacilda Becker por todos os participantes do festival e público!

Segundo Hilton, a quarta edição do Olonadé foi idealizada com objetivo de refletir sobre a performance e a estética negra no âmbito das artes cênicas.

“Também pretendemos, com o Olonadé, intensificar o intercâmbio, contribuir para a formação profissional e de plateia e, sobretudo, divulgar e difundir a nossa produção cênica. Teremos uma programação diversificada, onde mostraremos ao público nacional e estrangeiro, durante a Olimpíada, o que há de mais rico nas artes cênicas negras brasileiras” explica Cobra.

Meia Noite - Foto 4

CULTURA DA AFIRMAÇÃO

Quando surgiu, em 2001, a Cia dos Comuns – grupo teatral carioca formado por atores e atrizes negros – teve como propósito a criação e o fomento de narrativas artísticas que tivessem o negro como protagonista – da cena e dos temas retratados. Ao mesmo tempo, buscava estimular o desenvolvimento de uma dramaturgia afro-brasileira e a formação teórica e intelectual de artistas, técnicos, pesquisadores e público interessado na difusão e valorização da cultura afro. Um trabalho que produziu importantes montagens teatrais, como o espetáculo Candaces – a reconstrução do fogo e a mostra de artística Olonadé – a cena negra brasileira, que teve sua primeira edição em 2007.

Engravidei - Foto 2 - Guma

Retomando suas atividades no Rio de Janeiro em 2016, a Cia dos Comuns reedita o Festival Olonadé, onde o público poderá conferir espetáculos prestigiados como Signos – (Dança) – com a Cia Rubens Barbot – Teatro de Dança – RJ; Pele – (Dança) – com a Clanm – Cia. Laboratório de Arte Negra em Movimento – RJ; Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas – (Teatro) – com Lucélia Sérgio – Cia Os Crespos – SP; Cartas à Madame Satã ou me desespero sem notícias – (Teatro) – com Sidney Santiago – Cia Os Crespos – SP; Meia noite – (Dança) – com Orun Santana – PE, Vaga carne – (Teatro) – com Grace Passô – MG; Mercedes – (Teatro-Dança) com o Grupo Emú e Alquimia Cultural – RJ e A viagem dos Eborás – (Dança) – com o Grupo Makala Musica e Dança – RJ.

 

SERVIÇO

“IV Olonadé – A cena negra brasileira”: mostra artística de dança e teatro negros

Espetáculos de dança e teatro: 9 a 14 de agosto (terça a sábado) sempre às 19h e 20h

Local: Teatro Cacilda Becker. Rua do Catete, 338 – Catete, Rio de Janeiro. Tel.: 2265-9933

Entrada franca!

09/08 (terça-feira) às 19h Signos | Cia Rubens Barbot – Teatro de Dança – RJ

10/08 (quarta-feira) às 19H | Clanm – Cia. Laboratório de Arte Negra em Movimento – RJ

11/08 (quinta-feira) às 19H | Cartas à Madame Satã ou me desespero sem notícias |  Os Crespos – Sidney Santiago – SP

11/08 (quinta-feira) às 20h | Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas | Cia Os Crespos – Lucélia Sérgio – SP

12/08 (sexta-feira) às 19H | Meia noite | Orun Santana – PE

12/08 (sexta-feira) às 20H | Vaga carne | Grace Passô – MG

13/08 (sábado) às 19H | Mercedes | Grupo Emú e Alquimia Cultural – RJ

14/08 (domingo) às19H | A viagem dos Eborás | Grupo Makala Musica & Dança – RJ

 

Papo Estético (vagas limitadas)

Local: Terreiro Contemporâneo. Rua Carlos de Carvalho, 53, Cruz Vermelha, Centro

10/08 das 9h às 12h – Papo Estético Teatro. Com Sidney Santiago, Grace Passô, Angelo Flávio, Lucélia Sérgio, Cristiane Sobral, Jesssé Oliveira e Gustavo Mello

11/08 das 9h às 12h – Papo Estético Dança. Com Rubens Barbot, Orun Santana, Agatha Oliveira, Fabio Batista, Betho Pacheco, Duda Fonseca, Gabriela Luiz, Valéria Monã

Mercedes - Foto 4