Latinidades celebra 10 anos com edição comemorativa em diferentes espaços do DF

Oshun por F2Studios/Divulgação

Oshun por F2Studios/Divulgação

Mês em que é celebrado o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, julho já se consolidou como o período do ano em que o centro da capital abriga o Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina, e em 2017 não será diferente.

De 27 a 30 de julho, Brasília receberá a 10ª edição do evento, com programação especial para marcar a primeira década de vida do projeto que se dedica a valorizar a cultura e a memória de mulheres negras. Nesta edição, o festival conta com a realização da Griô Produções, Instituto Afrolatinas, parceria da Oxfam Brasil, British Council e apoio da Organização das Nações Unidas, Fundação Cultural Palmares, Fundo Baobá, IFB Estrutural, Contag e Sinpro DF.

Latinidades - Foto de Chaia Dechen

Latinidades por Chaia Dechen

Com o tema “Horizontes de liberdade: afrofuturismo nas asas da Sankofa”, o festival vai promover encontros que dão visibilidade para a produção artística, cultural, política e intelectual de mulheres negras em todo o mundo. Hoje, 25 de julho, data em que é celebrado o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, será dado o pontapé inicial da programação com o Esquenta Latinidades.

Durante a tarde haverá uma programação super especial com roda de conversas, sarau com participação de artistas do DF e atividades para as crianças na sede do Coletivo Cidade na Estrutural. O encontro contará com a presença especial de Joyce Fernandes/Preta Rara (SP), cantora, turbanista, professora de história e idealizadora da página “Eu empregada doméstica”.

Vera Veronika Foto por Donas Filmes

Vera Veronika Foto por Donas Filmes

À noite, a programação segue com a gravação do DVD comemorativo dos 25 anos de carreira da rapper Vera Verônika.

Dirigido por Alê Capone, o registro reunirá convidados como o rapper Rapadura, a musicista Nanãn Matos, a cantora Indiana Nomma, o DJ Chokolaty, Martinha do Coco, Nego Dé, Thiago Jamelão, Osmair e Hadda MC, no Teatro Plínio Marcos do Complexo Cultural da Funarte.

O show será gratuito e os ingressos serão distribuídos 1h antes do início da apresentação.

Palavra Preta - Foto de Juh Almeida

Palavra Preta – Foto de Juh Almeida

Na grade oficial, marcada para acontecer entre os dias 27 e 30 de julho, há espaço para diferentes mesas e encontros. Entre os destaques está o lançamento do livro “Griôs da Diáspora Negra”, organizado por Ana Flávia Magalhães Pinto, Chaia Dechen e Jaqueline Fernandes, um desdobramento da edição 2014 do Latinidades.

Em uma apropriação do termo “griô” no feminino plural, os textos do volume convidam a um diálogo ampliado, em prosas e versos, caminhando pelas escritas da gente negra e indo até a crítica a modelos globais de dominação, passando por saúde, educação, territorialidade e políticas de memória.

Magá Moura

Magá Moura

No sábado (29/07) haverá uma mesa para discutir moda preta com a presença da influenciadora digital baiana Magá Moura, de Luciane Barros (idealizadora do África Plus Size Brasil), de Ana Paula Xongani (sócia-fundadora e estilista da Xongani, ateliê de moda afro-brasileira) e da youtuber Nátaly Neri.

A partir das 19h o Museu Nacional servirá de palco para a produção de designers e estilistas negras/os com três desfiles imperdíveis que apresentam coleções inéditas de Pinto Música (Moçambique), Rogue Wave (Angola) e África Plus Size Brasil (SP).

Nátaly Neri

Outro destaque da programação é a presença da jornalista baiana Maíra Azevedo, que volta ao Latinidades desta vez com o espetáculo “Tia Má Com a Língua Solta”. No stand up, ela satiriza situações cotidianas e aborda racismo, machismo e relações amorosas utilizando o humor como ferramenta para reflexão.

A programação se encerra no domingo, 30 de julho, com uma festa que contará com apresentação do duo nova-iorquino Oshun, da cantora ZAV (Moçambique) e da DJ Donna, no Outro Calaf (Setor Bancário Sul), local de fácil acesso, próximo à Rodoviária do Plano Piloto.

Tia Má

Tia Má

 

Por um ambiente mais sustentável

Como forma de destacar o caráter sustentável do evento, o Latinidades não imprimirá cartazes, flyers e catálogos nesta edição de 2017. Para ter acesso à programação completa do festival basta baixar o aplicativo do Latinidades. O programa foi desenvolvido pelo projeto OxenTI Menina, grupo de tecnologia formado por adolescentes e jovens de Salvador.

 

Latinidades em festa

Único evento pago de toda a programação do festival, a festa-show de encerramento do Latinidades terá como uma das atrações o duo nova-iorquino de hip-hop Oshun, formado pelas cantoras Niambi Sala e Thandiwe.

Pela primeira vez no Brasil, a dupla encerra as atividades do Latinidades 2017 com uma apresentação no Outro Calaf.

Oshun por F2Studios/Divulgação

Oshun por F2Studios/Divulgação

A turnê pelo país começou em São Paulo, seguiu para o Rio de Janeiro e termina na capital federal como parte das comemorações do mês da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha.

A dupla categoriza o seu som como “Iya-Sol”, uma mistura de neo-soul, hip-hop e “espiritual”. Em suas músicas, as duas costumam reunir uma série de elementos yorubás e temas caros à religiões de matriz africana, como racismo, ancestralidade e política.

A segunda atração internacional confirmada para a festa será a cantora Madina Vaz (MZ), mais conhecida como ZAV, que traz de Moçambique uma deliciosa mistura de ritmos como marrabenta, pandza, ghetto zouk e kizomba. Completa o line-up de peso a brasiliense Donna, famosa nas pistas da capital por seus sets de rap, miami bass, break beat, afro house e samba rock. O evento está marcado para começar às 18h.

Zav – Foto de F2Studios/Divulgação

Ingressos: R$ 20 (primeiro lote – valor sujeito a alteração) à venda no site https://www.sympla.com.br/festa-latinidades__163197

“Horizontes de liberdade: afrofuturismo nas asas da Sankofa”

Para esta 10ª edição, o Latinidades propõe uma reflexão coletiva: como a arte e os saberes de mulheres negras, assim como suas lutas históricas e contemporâneas por direitos e por liberdade, incidem no presente?

Como podem orientar a pensar e a criar o futuro dessas mulheres?

O conceito de Sankofa, dos povos Akan, ensina que tudo aquilo que foi perdido, esquecido, renunciado ou roubado no passado, pode ser reclamado, reavivado, preservado ou recuperado no presente.

 

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Ana Paula Xongani

Sankofa

O significado original da palavra Sankofa é: “não é um tabu segurar/pegar o que está em risco de ser deixado para trás”. Visualmente, o conceito – originário dos povos Akan (Gana, Togo e Costa do Marfim) – é expresso pelo símbolo Adinkra de um pássaro mítico que voa para frente enquanto olha para trás, com um ovo (simbolizando os conhecimentos do passado e também o futuro e as gerações futuras) em seu bico (entre outros).

Ao longo dos últimos anos, mais de 200 mil pessoas passaram pelo Latinidades e cerca de 100 artistas, entre nacionais e internacionais se apresentaram. Seu diferencial, além da quantidade de estados e países envolvidos, diz respeito tanto ao seu caráter cultural quanto ao formativo.

Desde 2008 o festival vem fortalecendo conexões internacionais e já contou com a participação de nomes como Angela Davis, Patricia Hill Collins, Paulina Chiziane (Moçambique), Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Elza Soares, Ellen Oléria, entre muitas outras mulheres negras de todas as áreas.

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Zav por Chairman

 

SERVIÇO

Festival Latinidades 10 anos
Dias: 25 e de 27 a 30 julho de 2017 (terça e de quinta a domingo)
Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios, Brasília – DF).
Entrada gratuita (exceto a festa-show no Outro Calaf)
http://www.afrolatinas.com.br

Realização: Griô Produções e Instituto Afro Latinas
Parceria: Oxfam Brasil e British Council
Apoio: Organização das Nações Unidas, Fundação Cultural Palmares, Fundo Baobá, IFB Estrutural, Contag e Sinpro DF

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Pinto Musica por Chairman

Programação

As inscrições para as mesas e oficinas estão disponíveis no site http://www.afrolatinas.com.br/inscricoes

 

25 de julho, terça-feira

15h-18h Esquenta Latinidades: papo preto e periférico
Abertura da Exposição “A Cidade é feminina” | Intervenção – Cia Bisquetes | Discotecagem -Selektha Joy | Apresentações artísticas – Ellen Nzinga, Lidia Dallet e Martinha do Coco

Roda de Conversa – “Conhecer o passado é fortalecer o presente e garantir o futuro”
Coordenação: Dyarley Viana (Inesc)
Convidadas: Lúcia Xavier (RJ) – Coordenadora da Organização Criola
Joyce Fernandes/ Preta Rara (SP) – Cantora, Militante, Turbanista e Professora de História
Martinha do Coco (DF) – Mestra do Samba de Coco e da Cultura Popular

20h-22h30 Gravação do DVD Vera Verônika – 25 anos
Retirar ingresso com uma hora de antecedência. Sujeito à lotação de espaço.

Local: Teatro Plínio Marcos do Complexo Cultural da Funarte

 

27 de julho, quinta-feira

10h-12h Mesa 1 – Memórias de visionárias
Local: auditório principal do Museu Nacional

  • Rosana Paulino (SP)
  • Elisabete Aparecida Pinto (BA)
  • Célia Cristina da Silva Pinto (MA)
  • Debatedora: Giovanna Xavier (RJ)

14h-15h Cine Afrolatinas
Local: auditório pequeno do Museu Nacional

Encontro das Águas (2016, 30 min), de Zaíra Pires, Flávia dos Santos e Mestre Negoativo
Antonieta (2015, 15 min), de Flávia Person

15h-17h Mesa 2 – Miragens do futuro no presente
Local: auditório principal do Museu Nacional

  • Marcelo Caetano (DF)
  • Erica Malunguinho (PE)
  • Kênia Freitas (DF)
  • Debatedora: Larissa Fulana de Tal (BA)

18h-19h Espaço Literário: Lançamento do livro Griôs da Diáspora Negra
Local: auditório principal do Museu Nacional
Por: Ana Flávia Magalhães Pinto ( DF)

19h-21h Mesa 3 – Afrontosas: agir para transformar
Local: auditório principal do Museu Nacional

  • Viviane Ferreira (SP)
  • Maria Clara Araújo dos Passos (PE)
  • Vilma Reis (BA)

 

Sexta-feira, 28 de julho

10h-12h Oficina 1 – Utopias coletivas e projetos de futuro
Local: auditório menor do Museu Nacional

-Apresentação: Nátaly Neri (SP)
– Mediação: Lúcia Xavier (RJ)

14h-15h Cine Afrolatinas
Local: auditório menor do Museu Nacional

Rainha (2016, 30 min), de Sabrina Fidalgo
Beatitude (2015, 15 min), de Délio Freire

15h-17h Mesa 4 – Ciência, tecnologia e projetos de transformação social

Local: auditório principal do Museu Nacional

  • Buh D’Angelo (SP)
  • Brenda Costa (BA)
  • Silvana Bahia (RJ)
  • Debatedora: Katemari Rosa (RS)

17h-19h Espaço literário
palavra preta: mostra nacional de negras autoras

Cantautoras

O Festival Latinidades recebe a segunda edição do palavra preta, festival de música e poesia voltado para autoras negras.

Local: auditório principal do Museu Nacional

19h – Diálogos transatlânticos
Em parceria com o projeto Vidas Refugiadas
Local: auditório do Museu Nacional

-María Ileana Faguaga Iglesias ( Cuba)
-Nkechinyere Jonathan ( Nigéria)
-Mediação: Aline Maia (RJ)

 

Sábado, 29 de julho

09h-18h Oficina 2: WordPretas
Em parceria com IFB Estrutural, Minas Programam e PretaLab
Local: Instituto Federal de Brasília – Campus Estrutural

10h-12h Oficina 3 – Dança: Coupé Décalé
Coupé Décalé é uma dança africana nascida do intercâmbio da diáspora marfinesa em Paris e da própria Costa do Marfim. Por: Kety Kim Farafina

12h-14h Espaço literário
Palavra preta: mostra nacional de negras autoras

 

Local: auditório principal do Museu Nacional

14h-16h Mesa 5 – Moda preta: poder, lacre, transformação
Local: auditório principal do Museu Nacional

  • Luciane Barros (SP)
  • Magá Moura (BA)
  • Ana Paula Xongani (SP)
  • Debatedora: Nátaly Neri (SP)

17h-18h Cine Afrolatinas + debate com Day Rodrigues
Local: auditório menor do Museu Nacional

Filme Mulheres Negras: Projetos de Mundo – O filme (25 min, 2016), de Day Rodrigues e Lucas Ogasawara
19h-21h Desfile Afrolatinas
Mais uma vez o Festival Latinidades dá destaque para a produção de designers e estilistas negras/os com três desfiles imperdíveis que apresentam coleções inéditas:

Marcas convidadas:
Pinto Musica (Moçambique)
Rogue Wave (Angola)
África Plus Size ( São Paulo)

Discotecagem: DJ Donna ( DF)
21h-22h30 Stand up: Tia Má – Com a Língua Solta
Entrada gratuita (retirar ingresso 1h antes do início do evento)
Local: auditório principal do Museu Nacional

 

Domingo, 30 de julho

10h-12h Oficina 4 – Roda da Mãe Preta – Ancestralidade e Maternidade
Roda da Mãe Preta é um grupo de mães negras, formado a partir de inquietações sobre a educação de suas crianças. Por: Taisa de Souza Santos

  • Priscila Obaci
  • Ana Paula Xongani

11h-13h Oficina 5 – Dança com P. Afrobeat e Dança Afro
Por: Vanessa Soares

14h-16h Oficina 6 – Malungas: autocuidado como insurgência
Por Layla Maryzandra

14h-17h Espaço literário
Palavra preta: mostra nacional de autoras negras
Local: auditório principal do Museu Nacional

16h-17h Showcase Craca e Dani Nega + Lançamento de clipe da música Papo Reto
Com apoio da Fundação Cultural Palmares
Entrada gratuita
Local: auditório do Museu Nacional

Craca e Dani Nega trazem ao Latinidades o lançamento de seu primeiro videoclipe. Referente à música “Papo Reto”, do disco “Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha”, o clipe contou com a direção de Day Rodrigues e foi gravado na Aparelha Luzia, em São Paulo.
Além da exibição do clipe, o público poderá curtir um pocket show dessa incrível dupla.
18h – Festa Latinidades
DJ Donna (DF)
ZAV ( Moçambique)
Oshun (EUA)

Local: Outro Calaf (Setor Bancário Sul).
Ingressos antecipados à venda no site https://www.sympla.com.br/festa-latinidades__163197
Primeiro lote por R$ 20 até 20/07, R$ 30 até 30/07, e R$ 35 na hora. Não recomendado para menores de 18 anos.

 

DJ Donna por João Paulo Pixelizando

DJ Donna por João Paulo Pixelizando

Histórico

O Latinidades foi criado em 2008 para marcar o 25 de julho – Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha – que tem ganhado força ano após ano como uma espécie de 8 de março da mulher negra. Ao longo dos últimos anos, mais de 200 mil pessoas passaram pelo festival e cerca de 100 artistas, entre nacionais e internacionais se apresentaram. Seu diferencial, além da quantidade de estados e países envolvidos, diz respeito tanto ao seu caráter cultural quanto ao formativo.

O projeto é bastante conhecido por seus debates e publicações, mas também pelos grandes shows. Todos os anos Latinidades envolve música, dança, teatro, literatura, formação, capacitação, empreendedorismo, economia criativa, moda, comunicação e é realizado por meio de diversas atividades pelo Distrito Federal e outros países, como já aconteceu em Cuba e Cabo Verde. Nasceu com intuito de celebrar o Dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha e abrir espaço para convergir debates e iniciativas do estado e da sociedade civil relacionadas à promoção da igualdade racial e enfrentamento ao racismo, machismo e sexismo.

Desde 2008 o Festival Latinidades vem fortalecendo conexões internacionais, e já contou com a participação de nomes como Angela Davis, Patricia Hill Collins, Hope Clayburn (EUA); Teresa Cárdenas (Cuba); Pascale Obolo (Camarões/França); Esperanza Bioho (Colômbia); Shiley Campbell (Costa Rica); Paulina Chiziane (Moçambique); Malika Tirolien (Guadalupe); e Okwei Odili (Nigéria). E nomes como Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Conceição Evaristo, Makota Valdina, Ana Maria Gonçalves, Djamila Ribeiro, Stephanie Ribeiro. Além disso, atrações como Elza Soares, Margareth Menezes, Playing For Change, Mariene de Castro, Paula Lima, Karol Conka, Gaby Amarantos, Ellen Oléria, e muitas outras mulheres negras de todas as áreas.