Moda Livre – ou não?

moda livre O aplicativo Moda Livre avalia os principais grupos varejistas de moda em atividade no país, além das empresas em que a produção de roupa foi marcada por casos de trabalho escravo flagrados por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Repórter Brasil convidou todas as companhias a responder a um questionário-padrão que avalia basicamente quatro indicadores:

  1. Políticas: compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento.
  2. Monitoramento: medidas adotadas pelas empresas para fiscalizar seus fornecedores de roupa.
  3. Transparência: ações tomadas pelas empresas para comunicar a seus clientes o que vêm fazendo para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo.
  4. Histórico: resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo o próprio governo.

moda escravoAs respostas vão somando pontos e a partir daí as empresas são classificadas em três categorias de cores: verde, amarelo e vermelho.

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A parte mais legal do aplicativo é saber que algumas marcas que adoramos também fazem parte da lista das vilãs: M. Officer, Triton, Tufi Duek, Gregory e Colcci são exemplos de marcas que cobram muito, mas utilizam trabalho escravo em sua produção.

A Zara, autuada no ano passado pela prática de mão de obra escrava teve sua avaliação melhorada na ultima atualização do aplicativo, mas assim como a Le Lis Blanc continua não oferecendo as melhores condições de trabalho aos seus funcionários

moda livreDas marcas que constam no aplicativo, apenas a Zig Zig Zaa, a Wee, C&A, Malwee, Dudalina, Enfim, Carinhoso, Brasileirinhos, Liberta, Individual e Base são as únicas que ficaram no verdinho. Ponto super positivo para a C&A, a única das grandes que aparentemente respeita seus funcionários.

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A discussão é polêmica já que consumo consciente muitas vezes significa comprar em lojas menores, com tecidos mais bacanas, e consequentemente com preços mais altos. Eu costumo dar preferência para lojas menores, marcas de estilistas pequenos que além de produzirem peças mais exclusivas, respeitam os poucos funcionários e toda a cadeia de produção.

sweatshop650Dá trabalho escolher de quem se compra, mas as armas estão em nossas mãos. É importante saber o que se compra e como essas peças são produzidas, mas com toda essa crise as vezes não tem como fugir de comprar produtos pelo preço, mesmo sabendo que a produção não é feita de maneira tão bacana. Ao mesmo tempo, dá pra evitar marcas que além de cobrarem super caro, ainda utilizam mão de obra escrava. A Bo Bô e a Le Lis Blanc não deveriam fazer parte dessa lista por exemplo. Muitas peças são vendidas por preços mais de  100 vezes mais caros que o que custa produzir. Não é saudável nem pro bolso nem para os trabalhadores.

Também dá uma dor no coração saber que marcas nacionais e teoricamente mais bacanas como a Hering não são melhores que grandes cadeias como a Zara. moda sustentavelPor enquanto não consegui me livrar completamente de fazer compras em marcas que não produzem de maneira ética, mas admito que quando posso escolher, ou quando procuro uma peça mais bacana, dou preferência para as marcas que investem em uma produção de forma mais justa, mesmo lucrando um pouco menos.

E você? Não deixe de dar a sua opinão sobre o assunto.

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