Rapper Vera Veronika lança disco comemorativo aos 25 anos de carreira

 

Era 1990. O rap dava passos ainda miúdos em todo o mundo. “Ritmo e poesia” era o estilo que dominava as periferias de Nova Iorque e, apesar de tantas referências, ainda era considerado um estilo underground em todo o mundo. No Brasil, homens que moravam nas periferias davam vazão às suas causas por meio da poética urbana e com auxílio de scratches, toca-discos e batalhas de rimas.

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No Distrito Federal, alguns grupos já alcançavam notoriedade a nível nacional. A presença feminina neste universo, no entanto, ainda engatinhava. Neste contexto, surge Vera Veronika, a primeira cantora de rap do DF. O caminho trilhado nunca foi fácil, por vezes, passível de desistência. Mas o título de pioneira é para poucos e Veronika reaparece 25 anos depois de sua primeira rima, lançando um disco comemorativo de carreira, intitulado “Mojubá”.

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Mantenedora de abrigo infantil, pedagoga, empreendedora e consultora nas causas de Direitos Humanos, Vera sempre encontrou no rap a força necessária para lutar contra tudo o que parecia injusto. Deu certo! A cantora é tida como voz ativa na história do rap nacional e inspira gerações de mulheres que se dedicam ao estilo musical.

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O disco “Mojubá” nasceu do projeto de DVD que comemora os 25 anos de carreira da artista. Com a produção de 15 faixas para compor videoclipes, e a realização ainda vindoura de outras 10 faixas que serão tocadas ao vivo – gerando um total de 25 faixas, uma para cada ano de trabalho na música – Veronika decidiu apostar também no formato de disco.

Foi então que, conversando com seu produtor musical, Higo Melo, e o diretor artístico, Nego Dé, a cantora resolveu lançar o trabalho em CD.

 

Segundo ela, “Mojubá representa uma nova Veronika: traz a cara da ancestralidade africana, do afrobeat e da cultura brasileira”.

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Estas já eram pautas da rapper, que se identifica como “mulher negra, periférica e adepta de religião de matriz africana em constante luta pelas causas sociais”. A novidade é uma nova instrumentação no trabalho musical, acumulando sonoridades que transcendem o universo do rap, flertando com sons mais modernos.

“Mojubá” traz 11 faixas, sendo nove da produção de Higo, e uma Vera Veronika mais contemporânea: antenada com tendências musicais, passeando por sonoridades negras de referências fortes. Higo, que tem carreira sólida como cantor e compositor, incluiu camadas de soul music e instrumentos não convencionais ao “ritmo e poesia”.

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As exceções na produção musical ficam por conta da paulistana BadSista – uma das únicas mulheres produtoras de rap no Brasil – na faixa “Assediadas”, e do DJ Brotha, que cria um trap para a faixa “No Corre”.

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“Veronika estava há 10 anos sem gravar e com a mente fervendo. Transformar esses assuntos em música, de forma se torne um inicio de diálogo, e não em palestra foi a grande missão do disco. Há dez anos, compor música de grande duração era mais comum e “aceitável”. Hoje precisamos ser mais sucintos. Acho que fomos felizes em separar a cantora e compositora, da professora, pedagoga e palestrante. Todos os temas são instigantes. Quer ouvir boa música com conteúdo? Ouça o disco”, avalia Higo Melo.

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Em “Mojubá”, a violência contra as mulheres, o tráfico feminino, a diversidade sexual, o empoderamento, a superação, o genocídio da juventude negra, o cotidiano dos jovens de periferia e a ancestralidade e religiosidade africanas são pautas definitivas.

Acrescenta-se à ficha técnica um grande número de convidados, confirmando a característica aglutinadora do trabalho de Veronika.

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Na abertura, o disco traz a faixa “Calada Não Mais”, uma obra sobre a violência contra mulheres e participação da cantora Paula Dias nos backing vocals.

A segunda faixa, “Traficadas”, tem letra de Veronika e Eddie Blue e traz ao trabalho um debate sobre o tráfico de meninas e mulheres. Na faixa-título, “Mojubá”, escrita pela cantora e pelo rapper Sagaz,  o respeito à religiosidade africana é o mote, com backing vocals de Paula Dias, Higo Melo e Nãnan Matos (que também gravou seu djembê com maestria).

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Na sequência, “Assediadas” reúne cantoras de todos os tempos do rap. As intérpretes Rubia Fraga/SP, Ieda Hills/SP, Bebel do Guetto/RJ, Luana Hansen/SP, Sara Donato/SP, Sharylaine/SP, Priscila Feniks/SP, Cris SNJ/SP, Lunna Rabetti/SP, Tássia Reis/SP, Lauren/SP, Issa Paz/SP emprestam suas vozes à faixa, composta em conjunto, com backing vocals de Ieda Hills, a produção de BadSista e discotecagem da DJ Simone Lasdenas.

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“Oriente-se” é uma faixa dedicada às diversidades e à orientação sexual e cai bem às pistas de dança. Em “Soul Negra, Soul Livre”, letra de Veronika e Ellen Oléria, o empoderamento da mulher negra aparece, em um dueto das duas letristas ao lado do saxofone e vocal da multi-instrumentista norte-americana Hope Clayburn.

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“No Corre” é o trap produzido pelo DJ Brotha que narra a superação das desventuras do cotidiano. “Reciclando Sonhos”, com letra de Vera, Higo e Loko do Cerrado, trata da realidade das mulheres que trabalham nos lixões de Brasília.

Caminhando para o fim do disco, “Genocídios” é a faixa assinada por Nego Dé, Veronika e Thiago Jamelão, que discorre sobre o genocídio da juventude negra, com a participação destes parceiros.

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“Revolução Descendente” é a única regravação presente no trabalho. Faixa datada de 1996 ganha novo arranjo em “Mojubá”, gravada ao lado dos parceiros da banda Código Penal, conhecida na história do rap nacional. As vozes de Elnego Thales e Osmair se juntam à de Vera para retratar o cotidiano dos jovens de periferia.

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Por fim, “Deixe-me ir” é uma faixa reflexiva, na qual Veronika encontra-se consigo: um retrospecto da artista e seu trabalho no rap. A faixa tem participações de Dilton do Cavaco (cavaquinho) e Fernanda Ribeiro (pandeiro).

“Mojubá” pode ser ouvido em todas as plataformas digitais.

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VÍDEO: https://goo.gl/h73eXN

OUÇA O DISCO EM https://www.veraveronika.com/

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