Tá fazendo moda: Ocupação Zuzu

 

Assim como o dia das mães, a exposição já passou, mas o Olho mágico passou por lá e trouxe uma cobertura exclusiva sobre a Ocupação Zuzu (1 de abril a 11 de maio). O lugar onde nos ensinava um pouco sobre a moda e a vida dessa mãe guerreira e mulher incrível.

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Zuzu Angel – Zuleika Angel Jones (Curvelo, MG, 1921 – Rio de Janeiro, RJ, 1976).

Responsável pela gênese da moda brasileira, empresária pioneira, artista de êxito e mulher sensível às transformações da sociedade, no auge do sucesso Zuzu direcionou sua vida e obra para a busca pela verdade sobre o desaparecimento do filho – Stuart Angel Jones, torturado e morto pela ditadura militar aos 26 anos –, determinando, assim, a própria morte. A multiplicidade e legitimidade de Zuzu foi lindamente exposta nessa exposição, que mostrou um pouco da mãe, empresária, estilista e militante.

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Depois de conhecer seu marido, o norte americano Norman Angel Jones em Belo Horizonte, passar pela Bahia – local de nascimento de seu filho Stuart – Zuzu se estabelece no Rio de Janeiro, onde abre o seu primeiro ateliê “Zuzu saias”. Seu estilo próprio valorizava a identidade brasileira, mesclando seu lado vanguardista com o cosmopolita. Estampas de pássaros, frutas e frutos aparecem juntas com rendas, bordados, predarias, contas de madeiras, conchas e bambu.

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 No seu auge do sucesso, em 1971 seu filho Stuart Angel Jones é preso, no momento em que o Brasil passava pelo Golpe Militar. Logo após a sua morte, Zuzu recebeu uma carta de Alex Polari de Alverga contanto exatamente como seu filho havia sido torturado antes da morte, a partir daí ela começou uma busca incansável pelo corpo do filho, já que a única coisa que Zuzu queria era poder enterrá-lo propriamente.

No vídeo “Sônia Morta e Viva”, produzido e dirigido por Sérgio Waisman, em 1985, consta a declaração de Alex sobre Stuart. Suas denuncias e lutas eram realizadas nas passarelas, além de manter amigos próximos e famosos com ela, Zuzu colocava em suas roupas metáforas e indiretas para esse momento terrível que o país vivia e a dor que ela sentia.

A maioria de suas roupas a partir desse momento eram pretas, mostrando seu total luto em relação a seu filho. “A primeira coleção de moda política da história”, era como ela se dirigia as suas roupas, já que usava ao lado dos anjos, as figuras de crucifixos, tanques de guerra, pássaros engaiolados, sol atrás das grades, jipes e quépis.

78522222222222 Em 14 de abril de 1976, às 3h, na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ), Zuzu morreu, vítima de um acidente automobilístico. Uma semana antes do acidente, deixara na casa de Chico Buarque, um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse. “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”, dizia. Sua força e coragem inspiraram ao compositor, em parceria com Miltinho do MPB4, a música “Angélica”.

 Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, uma entidade civil sem fins lucrativos, fundado em outubro de 1993, por uma das filhas de Zuzu – a jornalista Hildegard Angel. Essa primeira parte, contando detalhadamente sobre a vida de Zuzu foi feita na linha do tempo logo na entrada. Na parte de cima contava a história da mulher embaixo a história do país.

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 Depois no primeiro subsolo à moda de Zuzu! Que lugar incrível. Contendo suas etiquetas, croquis, vestidos, estampas, reportagens, fotos, uma representação do seu ateliê. Um lugar contando a história da estilista, mostrando sua exuberância, originalidade, delicadeza e seu modo vanguardista de criar.

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No andar debaixo, havia a Zuzu luto, o lado do militarismo, a dor da perda de Stuart. Havia sua moda de protesto, sua moda de luto, sua moda de indignação. No andar debaixo havia suas cartas para seus amigos famosos, para deputados americanos, para qualquer pessoa que Zuzu achava poder ajudar na busca pelo corpo do seu filho, além de um áudio emocionante, onde ela mesma diz, que ela não queria mais nada além de poder enterrar seu filho.

Nessa exposição fui com a minha mãe, e ela não aguento ficar nem terminar de ver essa parte. Se debulhou em lágrimas e aquilo me fez ver o quanto a dor de Zuzu era grande, atingiu a outra mãe que não passou por nada parecido e apesar de eu não chorar, eu senti um vazio tão grande, como se eu pudesse – mesmo que não possa – sentir uma parte daquela dor.

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 A história não está completa, até porque a ideia do post era mostrar apenas um pouco da exposição para quem infelizmente não pode ir, mas caso queira saber mais sobre essa mulher sensacional, faça como eu e pesquise.

 Alguns sites que encontrei e me ajudaram muito foram o próprio site da exposição e o site do Instituto Zuzu Angel. Encontrei algumas matérias na Uol, mas realmente esses dois foram os mais completos. A maioria das imagens foram retiradas do site do Itaú Cultural – Já que minhas fotos ficaram embaçadas.

E por último, um poema de Guimarães Rosa que tinha na linha do tempo e que marcou tanto a mim quanto a minha mãe:

 “O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria,

aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem”

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