Vinte Anos, de Alice de Andrade: um filme sobre o amor e o tempo

 

Exibido na Mostra Internacional de São Paulo, nos festivais internacionais de Miami, Guadalajara e Havana, e com dois prêmios no Festival de Brasília 2016, o documentário Vinte Anos estreou nos cinemas dia 26 de julho.

Após ter entrevistado 40 casais cubanos, no casting de seu primeiro curta documentário, a diretora Alice de Andrade retorna à Cuba passadas duas décadas e retrata, além das recentes transformações do país – objeto de sua longa pesquisa – a vida de três casais que no passado se preparavam para casar. O que restou dessas histórias de amor? Como as mudanças da ilha afetaram as vidas de suas famílias?

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Curiosidades:

Durante o “Período especial em tempo de paz”, nome oficial dado aos piores anos de   relacionamento   que   sucederam  ao  fim  da  ajuda  soviética  à Cuba, 40  casais,  prestes a contrair matrimônio, participaram da seleção de elenco de “Luna de Miel”, primeiro  documentário  da  diretora, sobre o ritual socialista do casamento.

Vinte anos depois, quando Cuba começava a pôr em prática um importante conjunto de reformas  para  atualizar seu   modelo  econômico,  a  diretora  reencontra  3  desses  casais para captar os reflexos das transformações do país em suas vidas. As entrevistas do casting são projetadas nas salas de cada família, confrontando esses homens e mulheres com suas imagens e ideias do passado.

A partir daí, a equipe passa a reencontrá-los esporadicamente ao longo de cinco anos, construindo relações de afeto e confiança capazes de captar uma crônica emotiva de suas vidas.

Vinte anos  segue  a  luta  cotidiana  dessas  famílias  cubanas  nesse  momento  peculiar. O filme  os  vê  reformando  suas  casas,  fazendo  negócios  como  autônomos,  legalizando  a posse de  seus  imóveis. Sair do país, planejar, esperar, concretizar alguns sonhos, fracassar em outros, continua esperando… Vê as mães se desdobrando para que nada falte  aos  filhos,  as  crianças  crescendo  e  os  jovens  alçando  vôo.  Pouco a pouco,  o  filme  vai  se  tornando   um  mensageiro  de  imagens,  levando  cartas, vídeos e fotografias,  de   um  lado  ao outro  dos  exílios,  reunindo  por  breves   momentos  as  famílias separadas pelo  oceano.

Vários dos personagens construíram as casas em que vivem, nos mutirões revolucionários.  Hoje, a inércia  das obras  de  restauração   de  Havana  se assemelha  às lentas  reformas  econômicas  do  governo, e  não  traz  uma  efetiva  melhoria  de vida  para  a maior parte da população.  O filme documenta a tão ansiada abertura do país, após o restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos.

O tema do filme é ‘Viente Años’, clássico da música cubana, eternizado por Omara Portuondo no Buena Vista Social Clube, faz parte da trilha do filme, que mereceu o Candango de Melhor trilha para Pedro Cintra (recentemente falecido) no Festival de Brasília.

O fotógrafo Alberto Korda, conhecido pelo icônico retrato de Che Guevara, ‘o guerrilheiro heróico’, feito por ele em 1960, fez as fotos de cena do primeiro curta e são outro atrativo do filme.

 

LE PARI BURKINABÉ (1999), 52 min., Melhor documentário no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, FICA, Goiás, (1999).

DENTE POR DENTE (1994), 23 min., fic. Melhor direção e roteiro no Festival de Brasília (1994).

LUNA DE MIEL (1993), 24 min, produzido para o Channel Four, Inglaterra  e vendido para 36 países. 3° Prêmio Coral no Festival de Havana (1993). Selecionado para os festivais de Pisa, Itália,  e Friburgo, Suíça.

VINTE ANOS foi desenvolvido no Atelier Documentaire da Fémis, coproduzido pela Costa Rica, com apoio do Programa Ibermédia.

Atualmente Alice finaliza a série de televisão 80 DESTINOS, ampliação do longa, que retrata 13 casais filmados em 1992 até os dias de hoje, sob o governo Trump. 

 

 

Sobre Alice de Andrade

 

ALICE DE ANDRADE fez mestrado em cinema na Universidade Paris 8 e é formada em roteiro pela EICTV, Cuba.

Escreveu e dirigiu: MEMÓRIA CUBANA (2010), 71min., doc. Prêmio Especial do Júri no Festival de Fortaleza e 3° Prêmio Coral – Festival de Havana (2010). O DIABO A QUATRO (2004), 108 min., 35mm, fic. Prêmio Especial do Júri e Melhor Ator  Coadjuvante no Festival de Brasília (2005) ; Prêmio do Melhor Filme no Festival de Cinema Brasileiro de Israel ; 3° lugar no Festival Internazionale Delle Donne, Turim, Itália; Prêmios de Melhor Filme, Roteiro, Diretor, Atriz e Som em Cuiabá. Selecionado em Rotterdam, Rio, São Paulo, Créteil, Fribourg, Pésaro, Buenos Aires e Montevidéu.

 

 

Distribuição – Arthouse

 

A ArtHouse é uma distribuidora dedicada ao cinema de autor que traz em seu catálogo filmes como “A Erva do Rato” e “Educação Sentimental”, de Julio Bressane, “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante, “Big Jato”, de Cláudio Assis, “Futuro Junho”, de Maria Augusta Ramos e muitos outros longas-metragens que se destacaram no circuito de festivais dentro e fora do país, como os Festivais de Rotterdam, Locarno, Roma, Festival do Rio e Festival de Brasília.
Os mais recentes lançamentos incluem: “A Família Dionti”, de Alan Minas, vencedor do prêmio de público no Festival de Brasília; “Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda; “Love Film Festival”, de Manuela Dias, e “Um Filme de Cinema”, de Walter Carvalho.
Com um foco no cinema nacional de arte, e consciente da importância da comunicação eficaz com o público, a distribuidora ArtHouse ajuda a preencher uma lacuna no setor, dando visibilidade em salas de cinema a toda uma produção brasileira de imensa qualidade e reconhecimento internacional que enfrenta sérias dificuldades de chegar ao espectador. Em 2018, a ArtHouse continua seu crescimento no mercado brasileiro de cinema, apresentando uma carteira diversa, onde se destacam “Canastra Suja”, protagonizado por Bianca Bin e Adriana Esteves, “O Beijo no Asfalto“, longa de Murilo Benício e estrelado por Lázaro Ramos e Débora Falabella, e ”Domingo”, novo filme de Fellipe Barbosa e Clara Linhart, com Camila Morgado e Chay Suede.