Dos palcos para as ruas

Couro, tachas, brilho, xadrez e cores escuras. Talvez você não saiba, mas peças nesse estilo estão relacionadas ao movimento cultural do rock.  No segundo post da série M.R.C, referências que surgiram nos palcos e acabaram tomando as ruas e o gosto de amantes do rock e da moda.

A história do rock começou na década de 50, quando o rock explodiu como um movimento de contracultura, trazido por jovens através da música e cultura de rua, com o objetivo de reagir ao ideal de vida perfeita no período Pós-Guerra. O movimento sempre esteve ligado a quebra de padrões, atravessou gerações e ainda hoje, segue com a mesma essência.

Assim como o rock, a moda é expressão e atitude, “ao se popularizar, o rock trouxe algumas vestimentas, e trouxe algumas coisas importantes principalmente com movimentos punk porque as referências eram um muito claras e poucas usuais para a época. Foi bastante emblemático, o próprio figurino do Elvis Presley influenciou muita gente e contribuiu para disseminar novas referências de vestir”, explica Clarice Garcia coordenadora do curso de moda do IESB.

Com sua popularização, o rock trouxe alguns códigos novos para a época, popularizando algumas vestimentas e trazendo fortes influências para o mercado da moda. Tudo começou com o estilo “Rockabilly”, onde o principal ícone da época foi Elvis Presley, o cantor misturava country e blues. Entre as suas principais marcas registradas estavam as jaquetas de couro, o topete alto no cabelo, a camiseta branco e o jeans curto.

“A moda e o rock se relacionam por que ambos são maneiras de se expressar, comunicar e escrever um pouco do que você é de uma forma diferente sem ser exatamente falando, e sim com uma imagem ou com uma história.” João Pires, baterista da banda Lupa.

Controversas

Se na década de 50 um chamava atenção pelo cabelo arrumadinho, outro fazia sucesso nos anos 60 com seu cabelo desgrenhado. Bob Dylan chamava atenção pelo terno justo e botas cowboy. Ainda na década de 60, os Beatles apareceram com cabelo e visual singular, além dos Rolling Stones e The Who, os meninos de cabelos arrumadinhos, ternos e gravatas coloridas. O visual era moderno na época e ainda hoje apresenta fortes referências na moda.

Já década de 70, o rock levantava a bandeira da geração hippie. Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin se destacavam na época em que a moda era ditada por lenços, estampas, calças boca de sino e acessórios em couro. Indo em uma direção completamente contrária no quesito estilo, na mesma década surgiu o glam rock. Muito glitter, paetês, ombreiras e tecidos metalizados não tinha como não se destacar e David Bowie chamava atenção com seu visual andrógino, misturando roupas masculinas com femininas.

No final da década de 70 e no ínicio dos anos 80 começava o movimento punk na Inglaterra. Ícone na moda, a estilista Vivianne Westwood ajudou o Punk a sair do underground e atingir o mainstream. Ao lado do marido Malcolm McLaren, produtor da banda inglesa Sex Pistols, Vivianne comandava a icônica boutique SEX e era responsável pelo visual da banda. Além da Sex Pistols, bandas como Ramones, Iron Maiden e The Clash usavam jeans skinny rasgado, camisetas justas,coturno e jaquetas de couro.

Nos anos da década de 90 e 2000 novos sub-gêneros passaram a aparecer, com isso, novas bandas. Hoje temos uma mistura de tudo e a pesquisadora de tendências Clarice relembra que, “as referências são muitas e sempre estiveram presentes. Jaqueta de couro, uma bomber, tachas, botas, o xadrez, isso já faz parte da nossa cultura, foi introduzido e hoje está presente de uma forma natural, acho que são coisas que estão sempre aí”, complementa Clarice.

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