Festival Favela Sounds apresenta sua primeira residência artística na edição 2019, ocupando a favela do Sol Nascente

Elijah

A caminho de sua quarta edição entre 11 e 16 de novembro de 2019, o Favela Sounds – Festival Internacional de Cultura de Periferia apresenta sua primeira residência artística. Com o nome “Prefixo Favela: sobre Brixton, Sol Nascente e as cores da diáspora”, a residência traz o artista plástico inglês Dreph ao Distrito Federal para 15 dias de atividades junto a jovens grafiteiros da favela do Sol Nascente e habitantes de outras regiões de alta vulnerabilidade social do DF, entre os dias 1 e 16 de novembro.

Benji Reid

Idealizada pela direção artística do festival, a residência é patrocinada pelo British Council e o Oi Futuro, através do edital Pontes, lançado para motivar as cooperações artísticas entre Brasil e Reino Unido. A ideia é criar laços entre a produção e visibilidade das artes urbanas nos contextos brasileiro e inglês, além de estimular o aprendizado de técnicas aprimoradas de pintura em jovens das periferias do DF já interessados pelo grafitti.  

Abe Odedina Mural

Nome fundamental na arte urbana em Londres, o artista Neequaye Dreph Dsane mantém há décadas uma vasta pesquisa sobre identidade, migrações, raça e diáspora, que se transmutam em grandes painéis pintados nas ruas de Brixton e outros bairros da cidade, retratando figuras de grande responsabilidade no histórico dos deslocamentos humanos em território inglês, conferindo a estes personagens o merecido reconhecimento por suas lutas em prol da população migrante.

Troy

Dreph, que nasceu em Londres em 1973 e tem origens ganenses, imergirá no contexto social, político e cultural da favela do Sol Nascente, no Distrito Federal – reconhecidamente a maior favela brasileira hoje – em busca dos personagens fundadores da comunidade, resgatando assim a memória afetiva do local.

Marcus Shoreditch

Peculiar em sua formação, a favela nasceu e cresceu nos anos 2000. Situada a 35 quilômetros da Esplanada dos Ministérios, centro do poder nacional, a comunidade trava batalhas diárias ante o baixo IDH (um dos menores do DF), a falta de saneamento básico, a violência proveniente dos combates entre forças armadas e o tráfico de drogas, entre outros dilemas. Hoje, o Sol Nascente tem estimativa populacional de mais de 100 mil habitantes distribuídos em perímetro equivalente a quase 1000 campos de futebol.

Carleen

A residência “Prefixo Favela” se dividirá entre apresentação de processo de pesquisa, aulas técnicas, diálogo com a comunidade, pintura coletiva de obra pública na favela do Sol Nascente e compartilhamento dos resultados da atividade em debates promovidos pelo artista. A ideia é que Dreph e um grupo de jovens grafiteiros de todo o DF a serem selecionados por inscrições (além de jovens interessados na arte do graffiti, moradores do Sol Nascente), realizem pesquisas e encontros coletivos com os primeiros desbravadores dos territórios que geraram a comunidade.

Captan, Nima, Accra

Posteriormente, o artista e os alunos pintarão em muros e fachadas indicados pela associação local de moradores os rostos dos primeiros habitantes do Sol Nascente, em um resgate da memória coletiva que visa a valorização de trajetórias periféricas na recente história do Distrito Federal, bem como reativar o sentimento de pertencimento dos moradores à região compreendida pela favela.

Moh Awudu, Nima, Accra, feat. Fuwai

O artista reproduzirá, portanto, sua metodologia de pesquisa e retratação da diáspora africana no contexto latino-americano, provando que os fluxos migratórios de África para o mundo têm impactos maiores do que acreditamos nos processos de identidade cultural, seja no Brasil, seja no Reino Unido.

Shiva

A residência se soma às oficinas em espaços culturais independentes de quebradas do DF, debates em escolas públicas, atividades no sistema socioeducativo do DF e à série de shows musicais que compõem o escopo do Favela Sounds. Só em 2018, o festival contou com público de mais de 30 mil pessoas, acontecendo em mais de 15 RAs do DF, com entrada franca para todas as atividades e ônibus para levar e trazer público de 10 RAs distintas ao evento. Favela Sounds tem patrocínio da Oi, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do DF, e apoio da Oi Futuro.

Sidd Sapp

Confira um vídeo sobre a 3a edição do Favela Sounds, em 2018: https://www.youtube.com/watch?v=6brtuhNRUs4

Sobre Dreph

Graduado em Arte, Design e Mídia na Portsmouth University, o artista já acumula mais de três décadas de arte na rua, sendo considerado um dos pilares da cena no contexto do Reino Unido, tendo pintado na Ásia, África, Emirados Árabes Unidos, América Central e do Sul e em toda Europa. E antes mesmo de dedicar-se ao muralismo, tornando-se um dos mais requisitados em seu país, Dreph foi professor de arte em escola secundária, tendo vasta experiência em trabalhar com jovens e pessoas com necessidades sociais e emocionais diversas.

Cassablanca

Serviço – Prefixo Favela: sobre Brixton, Sol Nascente e as cores da diáspora

Residência artística com Dreph (UK) na favela do Sol Nascente

Data: 1 a 16 de novembro de 2019
Horário: 16 às 20h

Local: Sol Nascente

Entrada franca com inscrições prévias pelo site favelasounds.com.br, a partir de 10 de outubro de 2019

Classificação indicativa: 16 anos

Raja