Petrobras Traço Animado Curso e mostra de animação brasileira no MAM Rio

O Museu de Arte Moderna apresenta Petrobras Traço Animado –
Curso e mostra de animação brasileira de 24 a 30 de abril de 2019
(mostra) e 6 a 10 de maio de 2019 (curso) ministrado pelo conservador
chefe da Cinemateca, Hernani Heffner. Mantenedora do MAM, a
Petrobras viabiliza a realização do curso e da mostra sobre a animação
brasileira.

Alê Abreu_O menino e o mundo_01_300dpi

A animação brasileira vem conhecendo um boom de produção no
século XXI, motivado por políticas públicas, entre as quais se destacam
os patrocínios da Petrobras e os editais da Secretaria do Audiovisual e
da Ancine, e pela crescente aceitação por parte do público, crítica,
players de mercado e academia. A multiplicação de mídias, como os
jogos eletrônicos e aplicativos, e de janelas de exibição, especialmente
o segmento de tv a cabo, também estabilizaram uma base de criação e
criaram demanda de produção que inseriu a animação brasileira em
um circuito internacional. Nos últimos anos alguns longas metragens
estrangeiros foram desenvolvidos e realizados no Brasil, embora
formalmente produzidos por países como Espanha, Canadá e França.
O prestígio da animação brasileira se consolidou com a indicação ao
Oscar de Animação para O Menino e O Mundo e a retrospectiva de
sua trajetória no Festival de Annecy em 2018.

Anelio Latini_Sinfonia amazônica_01_300dpi

Mas nem sempre foi assim. A história da animação brasileira revela
um longo e penoso percurso, que se não dista muito das dificuldades
de se fazer cinema no país, acrescenta especificidades como a
conquista das técnicas, a indefinição por uma segmentação e inserção
no mercado, com predomínio da publicidade até bem pouco tempo, e
a marginalização de propostas mais experimentais e artísticas.
Novamente a pouquíssima repercussão do premiado filme de Alê
Abreu, que teve apenas 16 mil espectadores no circuito de salas
brasileiro, parece indicar a necessidade uma popularização ainda
maior desses esforços e uma discussão do caráter artístico de parte
considerável da animação brasileira.

Celia Catunda_Peixonauta_300dpi_01

Petrobras Traço Animado – Curso e mostra de animação brasileira
pretende ser uma pequena contribuição à essa difusão e reflexão,
remontando aos primórdios dessa forma de expressão e perseguindo
suas continuidades e descontinuidades até a atualidade, a partir de
uma tradição ibérica e latino-americana. Vista quase sempre pela
perspectiva de sua associação (ou não) aos padrões dominantes da
animação (Disney, McLaren, Svankmajer, Miyazaki, etc.), a trajetória
brasileira tanto pode ser enquadrada por suas relações com a indústria
gráfico-editorial, o cinema, a publicidade, o expressionismo abstrato e
os memes de internet, como pela valorização da natureza, debitária do
mito fundador em torno do Eldorado, da criança, quase sempre
desencantada e triste nessa filmografia, e da distopia, pela fuga frente
ao presente e ao cotidiano, entre outras recorrências.

Luiz Seel_Macaco feio macaco bonito_01_300dpi

A presença da Petrobras junto ao curso e mostra revela sua
participação e engajamento nessa história, quer pelo pioneirismo em
encomendar a primeira animação em cores, Um Rei Fabuloso,
realizada em 1966 por Wilson Pinto, quer por manter notável
preocupação até os dias atuais com o fomento do segmento.

Curso: 6 a 10 de maio de 2019 | das 14h às 17h
Aula 1 – Animação Brasileira, uma História Cultural
Aula 2 – Fases Históricas e Fontes Artísticas
Aula 3 – Técnicas e Estilos
Aula 4 – Autoria, Estética, Teoria
Aula 5 – Animação Brasileira e Cinema Brasileiro,
uma aproximação (ou não?)

Stil_Batuque_01_300dpi

Mostra: 24 a 30 de abril de 2019

qua 24
19h Tito e os Pássaros de André Catoto Dias, Gabriel Bitar e
Gustavo Steinberg. Brasil, 2019. 73’. + Um Rei Fabuloso de Wilson
Pinto. Brasil, 1966. Animação. 10’. Exibição em DCP e 16mm.
qui 25
18h30 Macaco feio… macaco bonito de Luiz Seel. Brasil, 1929.
Fragmento. Animação. 4’. + O dragãozinho manso: Jonjoca de
Humberto Mauro. Brasil, 1942. Animação de bonecos. 25’. + O
átomo brincalhão de Roberto Miller. Brasil, 1964. 4’. + Batuque
de Stil. Brasil, 1970. Animação. 5’. + Japu – Um bravo guerreiro de
Anélio Latini Filho. Brasil, 1981. Animação. 10’. + Estrela de oito
pontas de Fernando Diniz e Marcos Magalhães. Brasil, 1986.
Animação. 10’ + Coletânea de filmes publicitários de VVAA. Brasil,
1959-1975. Animação. 40’. Exibição em MP4 (H264) e 35mm.
sex 26
14h – Traço Animado: Mostra Petrobras de Animação Brasileira –
Piconzé de Ypê Nakashima. Brasil, 1972. Animação. 76’. Exibição
em 35mm.
sab 27
15h Peixonauta: o filme de Célia Catunda e Kiko Mistorigo. Brasil, Animação. 77’. Exibição em DCP.
17h As aventuras do Avião Vermelho de Frederico Pinto e José
Maia. Brasil, 2014. Animação. 90’. Exibição em DCP

dom 28
15h Garoto cósmico de Alê Abreu. Brasil, 2007. Animação. 76’.
Exibição em 35mm.
17h O menino e o mundo de Alê Abreu. Brasil, 2013. Animação.
80’. Exibição em mov (H264).
seg 29
18h30 Boi Aruá de Chico Liberato. Brasil, 1994. Animação. 84’.
Exibição em 35mm.
ter 30
18h30 Rocky e Hudson de Otto Guerra. Brasil, 1994. Animação.
63’. Exibição em 35mm.
Todas as exibições possuem classificação indicativa livre.


Pré-inscrição gratuita em: https://goo.gl/forms/uvxL89rqfbxwI4t73

Ypê Nakashima_Piconz+®_01_300dpi

Bibliografia:
BARBOSA Júnior, Alberto Lucena. Arte da Animação. Técnica e estética através da
história. 2a edição. São Paulo: Senac, 2005.
CÀMARA, Sergi. O desenho animado. Lisboa: Editora Estampa, 2005.
COELHO, César; MAGALHÃES, Marcus; QUEIROZ, Aída; ZAGURY, Léa. Animation
now! Madrid: Taschen, 2004.
COELHO, Raquel. A arte da animação. Belo Horizonte: Editora Formato, 2000.
GRAÇA, Marina Estela. Entre o olhar e o gesto – Elementos para uma Poética da
imagem animada. São Paulo: Editorial Senac, 2006.
LOPES FILHO, Eliseu de Souza. Animação e hipermídia – Trajetória da luz e sombra
aos recursos midiáticos. São Paulo: PUCSP, 1997. Dissertação de mestrado.
MAGALHÂES, Marcos. Animação espontânea. Rio de janeiro: PUC-RIO 2004.
Dissertação de Mestrado.
MENDONÇA, Flávia da Costa Ferreira. A expansão do mercado de animação
brasileira: condições de possibilidade que favoreceram o crescimento da produção
de longas-metragens animados no Brasil no século XX. Brasília: UNB, 2017.
Monografia.
MIRANDA, Carlos Alberto. Cinema de Animação: Arte nova / arte livre. Petrópolis:
Vozes, 1971.
MORENO, Antônio. A experiência brasileira no cinema de animação. Rio de janeiro:
Artenova, 1978.
NESTERIUK, Sérgio. Dramaturgia de Série de Animação. São Paulo: Sergio Nesteriuk,
2011.
OLIVEIRA, Isabela Veiga. A Representação Brasileira no Cinema de Animação
Nacional: Identidade, Mercado Cinematográfico e Prática Artística. Goiânia: UFG, Dissertação de mestrado.
SILVEIRA, Nise. O Mundo das Imagens. Rio de Janeiro Editora Ática, 1992.
OLEDO, Silvio. Um caminho para a animação. Campina Grande: Epigraf, 2005.