Resenha: Quinta temporada de Black Mirror

A tão esperada quinta temporada de Black Mirror foi disponibilizada ontem (05/06), na Netflix. A Season 5 é composta por três episódios. Já alerto aos fãs da série que podem se decepcionar – pelo menos foi assim que me senti.

Desde a quarta temporada, o embasamento dos episódios tem ficado mais fracos. Enquanto da primeira à terceira, foi definido o tom da série e aquilo que muitos começamos a chamar e notar como “isso é muito Black Mirror”. Afinal o que seria isso? Me contem o que acham, mas enquanto isso, vamos aos episódios.

Striking Vipers

A temporada abre com tema já conhecido do público, abordado em outras temporadas da série, a realidade virtual imersiva. O roteiro inicia com o reencontro de dois amigos que passam anos afastados. Relembrando os velhos tempos, Karl (Yahya Abdul-Mateen II) presenteia Danny (Anthony Mackie) com um jogo, em sua versão mais recente, de Striking Vipers X – algo parecido com Mortal Kombat – o mesmo que costumavam jogar. Contudo, este é totalmente em realidade virtual, na qual até as sensações eles podem sentir.

No jogo, eles assumem os corpos dos avatares que escolhem e em certo momento, se beijam. A partir daí, uma série de conflitos começam, pois a situação se repete e se torna frequente. Eles não sabem lidar com o que está acontecendo e isso acaba influenciando em suas vidas reais, inclusive no casamento de Danny.

Este também é o episódio mais lento. Não só aborda a relação com a tecnologia, mas os sentimentos e desejos que ela pode despertar dentro de uma realidade virtual. Porém, a forma em que foi abordado não conectou realmente a ideia. A temática é importante, levando em consideração as relações sociais em espaço digital que dessa maneira levanta questões sobre sexualidade, empatia e amizade. Porém foi desenvolvido muito superficialmente para relevância e profundidade que possuem.

CURIOSIDADE: este episódio foi gravado em São Paulo. As gravações aconteceram entre 18 de março e 8 de abril de 2018. Alguns dos lugares que aparecem são a Avenida Paulista, Edifício Copan e o Viaduto Santa Ifigênia. 

Smithereens

O segundo já conta com mais adrenalina e um suspense básico. De todos, esse é o que mais gera uma identificação, pois coloca o dedo na ferida de uma realidade não tão distante. Tão próxima, inclusive, que pode-se notar em manchetes dos jornais.

Smithereens inicia com o motorista de aplicativo chamado Chris (Andrew Scott) esperando em frente à sede de uma grande empresa de tecnologia, em Londres. Até que em um momento ele sequestra um passageiro desta empresa e pede como condição para liberar o refém, que fale diretamente com o dono da companhia, Billy Bauer (Topher Grace). Até que isso acontece e o espectador realmente entende o por quê de toda a situação.

A trama trata de temas importantes e delicados, também é o que mais projeta identificação com nossa sociedade atual. A principal crítica do episódio consiste na hiperconexão das pessoas por meio das redes sociais e o poder que essas empresas de tecnologia exercem em nossas vidas. Segundo ponto que pode ser observado, é a cultura do Vale do Silício, principalmente em relação à privacidade e ao acesso e uso de dados dos usuários. Isso te lembra alguma coisa?

Rachel, Jack and Ashley Too

O terceiro episódio, estrelado por Miley Cyrus, foi o que ao meu ver mais destoou da série em si. Sempre existem abordagens e críticas em como o ser humano lida com a tecnologia e a superexposição que faz de si mesmo em ambiente virtual. Contudo, em Rachel, Jack and Ashley Too ficou mais com um tom de filme adolescente meio futurista do que a aquela pegada Black Mirror que a gente conhece.

Ashley O (Miley) é uma mega estrela da música com um discurso cheio de positividade e inspiração para suas jovens fãs, mas que na verdade a vida dela e o que acreditava não era bem aquilo. Ela era empresariada pela tia, a pessoa que criou esta imagem e pretendia mantê-la nas rédeas para que continuasse produzindo dessa forma.

A história de uma fã se entrelaça com esse conceito da imagem criada e como o resto de episódio se desenvolve. Rachel (Angourie Rice), passa por um momento difícil após perder a mãe, além dos dramas adolescentes comuns da idade. A mudança de cidade, baixa autoestima e brigas com Jack (Madison Davenport), sua irmã mais velha. Para lidar com tudo isso, ela se inspira em sua ídola Ashley O.

Rachel ganha de aniversário a boneca Ashley Too que se torna sua “melhor amiga”. Após a cantora entrar em um estranho coma, Rachel descobre por meio de sua boneca, que sua ídola pode estar em perigo.

Enfim, a trama fica mais focada com superficialidade na criação e manutenção de uma imagem veiculada pela indústria da música. O ponto mais Black Mirror que notamos  é a possibilidade de fazer o download de uma pessoa e transferi-la para outros objetos, como já foi abordado em outros episódios da série. Não surpreende, mas entretém.